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05 junho 2011

Dominique Strauss-Kahn voltará ao tribunal nesta segunda

Dominique Strauss-Kahn, diretor-chefe do FMI, na Corte Criminal de Manhattan, Nova York

Dominique Strauss-Kahn, diretor-chefe do FMI, na Corte Criminal de Manhattan, Nova York (Emmanuel Dunand/Pool/AFP)

O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn se apresentará nesta segunda-feira ao Tribunal Penal de Nova York. Na audiência, ele deverá se declarar inocente das acusações de que teria cometido crimes sexuais contra a camareira de um hotel em Manhattan, no dia 14 de maio.

Strauss-Kahn passou o dia de domingo no luxuoso apartamento no sul de Manhattan onde cumpre prisão domiciliar. Na segunda-feira, vai falar publicamente pela primeira vez desde que foi detido no aeroporto de Nova York a bordo de um avião que se preparava para decolar rumo à França.

Inocência - Os advogados de DSK, como é conhecido na França, afirmaram diversas vezes que o seu cliente se declara inocente. Benjamin Brafman, um conhecido advogado de Nova York que já defendeu e salvou vários famosos com problemas na Justiça, afirmou que Strauss-Kahn será libertado, em entrevista ao canal de televisão francês M6.

"Não quero entrar nos detalhes do caso por enquanto, mas estou confiante. Não penso que Strauss-Kahn, de alguma maneira, seja culpado das acusações e posso adiantar que será libertado", disse.

Contexto - Respondendo por sete acusações de crimes sexuais que podem levá-lo a uma pena de 74 anos de prisão, Strauss-Kahn era visto como o candidato favorito pelo Partido Socialista às eleições presidenciais francesas de 2012. Mas este escândalo pôs fim às suas aspirações eleitorais e o forçou a renunciar ao cargo no FMI.

Com a declaração de inocência, a promotoria deverá apresentar provas para confirmar a veracidade da denúncia da camareira de 32 anos. Se DSK mudar de ideia e se declarar culpado, não haverá processo e o juiz deverá decidir a pena.

25 maio 2011

Juiz determina mudan�a de pris�o domiciliar de Strauss-Kahn

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Strauss-Kahn muda de endere�o enquanto aguarda julgamento

UOL EconomiaStrauss-Kahn muda de endere?o enquanto aguarda julgamento26/05/2011EFE - Economia4@UOLEconomia #UOLNova York, 25 mai (EFE).- O ex-diretor-gerente do Fundo Monet?rio Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn foi transferido nesta quarta-feira a um novo local na cidade de Nova York, onde permanecer? sob pris?o domiciliar ? espera do julgamento por abuso sexual e tentativa de estupro.

Strauss-Kahn ficar? agora em uma luxuosa casa no setor de Tribeca, segundo informou a cadeia "CNN" horas depois de o juiz do Supremo Tribunal de Nova York, Michael Obus, ter informado sobre seu novo endere?o.

Strauss-Kahn permanecia at? agora em um condom?nio no n?mero 71 da Broadway, em Manhattan, onde foi instalado ap?s ter sido liberado da pris?o de Rikers Island no ?ltimo dia 20 sob o pagamento de uma fian?a de US$ 1 milh?o.

A princ?pio, o acusado planejara alojar-se at? ser julgado no Bristol Plaza, um edif?cio na zona leste de Manhattan, mas os moradores do edif?cio se opuseram ? mudan?a.

Diante desta rejei??o, as autoridades penitenci?rias decidiram transferir o acusado a um edif?cio situado no baixo Manhattan, pr?ximo ao "marco zero" e propriedade da empresa de seguran?a Stroz Friedberg (SP), ? qual o juiz Michael Obus confiou sua cust?dia e vigil?ncia permanente e armada.

Esse edif?cio de 20 andares contava com uma vigil?ncia intensa com c?meras de v?deo, apesar de o pol?tico e economista socialista franc?s estar controlado durante todas as horas do dia por um vigilante armado e usar uma pulseira eletr?nica.

Strauss-Kahn, de 62 anos e pai de quatro filhas, foi detido em 14 de maio e teve contra si a apresenta??o de sete acusa??es por abuso sexual e tentativa de estupro de uma imigrante africana de 32 anos.

O incidente ocorreu no luxuoso hotel de Manhattan onde a mulher trabalhava, segundo a acusa??o.

Strauss-Kahn ter? de apresentar-se para uma nova audi?ncia judicial em 6 de junho.

Juiz acata mudan�a de pris�o domiciliar de Strauss-Kahn

UOL EconomiaJuiz acata mudan?a de pris?o domiciliar de Strauss-Kahn25/05/2011AFP - Economia4@UOLEconomia #UOLNOVA YORK, 25 Mai 2011 (AFP) -Um juiz de Nova York aprovou nesta quarta-feira a mudan?a do endere?o de Dominique Strauss-Kahn em Manhattan, onde o ex-diretor do FMI, acusado de crime sexual, prosseguir? em pris?o domiciliar, revelou uma fonte judicial.

O funcion?rio informou que o juiz Michael Obus acatou o novo endere?o da pris?o domiciliar de Strauss-Kahn, informado pelos promotores e advogados de DSK.

Strauss Kahn cumpre pris?o domiciliar desde a sexta-feira passada, quando saiu da penitenci?ria de Rikers Island em troca de condi??es estritas, entre elas o pagamento de uma fian?a de um milh?o de d?lares em dinheiro e outros cinco milh?es de d?lares em garantias.

O ex-diretor-gerente do FMI ? acusado de agress?o sexual, tentativa de estupro e c?rcere privado contra uma camareira de um hotel de Nova York.

Se for condenado, Strauss-Kahn pode pegar at? 74 anos de pris?o.

Sarkozy monitorava vida privada de Strauss-Kahn, diz jornal

Sarkozy conhecia a vida privada de seus rivais políticos, segundo jornal francês

Sarkozy conhecia a vida privada de seus rivais políticos, segundo jornal francês (Lionel Bonaventure/AFP)

Jornalistas do diário teriam recebido de colaboradores do presidente Sarkozy informações de que há um registro policial sobre Strauss-Kahn. Segundo o documento, DSK - como é conhecido no país - teria sido visto em uma “posição indecorosa” dentro de um carro em uma área de prostituição de Paris."O Palácio do Eliseu (sede da Presidência francesa), bem mais do que a imprensa, não ignorava nada da vida privada de Strauss-Kahn. O poder, alimentado pelas redes policiais, sabe os segredos mais íntimos dos políticos e usa até mesmo as informações com caráter sexual que dispõe", afirmou o Le Monde.Investigação - Segundo o jornal, Sarkozy nomeou uma equipe para postos importantes dos serviços de inteligência e de polícia em 2002, logo depois de assumir o cargo de ministro do Interior. Isso significaria que cinco anos antes de chegar à Presidência, ele já conhecia aspectos da vida privada de políticos que poderiam representar uma ameaça eleitoral."Na época dos fatos, foi decidido no alto escalão não dar continuidade ao ocorrido, nem penalmente nem na mídia. Como DSK não havia passado nas primárias socialistas, no final de 2006, ele não representava mais o mesmo desafio", diz o artigo do jornal francês.Quando Sarkozy apoiou Strauss-Kahn a assumir a direção do FMI, a oposição interpretou a atitude do presidente como uma forma de ele se livrar de um forte rival nas eleições presidenciais de 2012. Afinal, DSK teria de renunciar ao seu cargo no Fundo para concorrer à Presidência. De fato, nas últimas pesquisas de opinião realizadas na França, Dominique Strauss-Kahn aparecia como o favorito dos eleitores."Nos últimos meses, à medida que DSK avançava nas pesquisas, colaboradores de confiança de Sarkozy se vangloriavam diante de jornalistas de ter o diretor do FMI nas mãos. Foi assim que esse registro policial veio providencialmente à tona", escreveu o Le Monde.Histórico - Esta não é a primeira vez em que Sarkozy está envolvido em um caso de espionagem. Em 2010, o Le Monde acusou a Presidência francesa de violar a lei sobre o sigilo das fontes dos jornalistas. Segundo o periódico, o governo utilizou o serviço de contraespionagem para identificar uma pessoa citada em uma reportagem do mesmo jornal sobre o escândalo envolvendo a empresa L´Oréal e um financiamento ilegal da campanha de Sarkozy, em 2007.

22 maio 2011

FMI anuncia in�cio de processo de sucess�o de Strauss-Kahn

UOL EconomiaFMI anuncia in?cio de processo de sucess?o de Strauss-Kahn20/05/2011BBC Brasil4@UOLEconomia #UOLO Fundo Monet?rio Internacional anunciou na noite desta sexta-feira, em comunicado em seu site na internet, que iniciou o processo de sucess?o de seu diretor-gerente, depois de Dominique Strauss-Kahn, no cargo desde 2007, ter renunciado em meio a um esc?ndalo sexual.

"? com prazer que anuncio que o conselho executivo do FMI adotou o processo que permite que a sele??o do pr?ximo diretor-gerente ocorra de maneira aberta, baseada em m?rito e transparente", diz um comunicado assinado pelo representante do conselho Shakour Shaalan.

Strauss-Kahn foi detido no s?bado, em Nova York, acusado por uma camareira de hotel de tentativa de estupro e agress?o sexual. Nesta sexta-feira, ele deixou a cadeia, sob fian?a, mas ficar? em pris?o domiciliar nos EUA enquanto a Justi?a d? sequ?ncia ao processo.

O franc?s negou as acusa??es e alegou ter renunciado ? chefia do FMI para se dedicar a sua defesa.

Sua ren?ncia vem provocando intensa especula??o sobre quem ser? seu sucessor no comando do ?rg?o, em uma disputa que op?e pa?ses europeus e a pa?ses emergentes, que exigem mais representatividade dentro do Fundo.

J? os europeus desejam manter o controle do ?rg?o, num momento em que crises de d?vida na zona do euro se tornaram a principal tarefa do FMI.

Atualmente, a candidata favorita ? dire??o ? a ministra francesa das Finan?as, Christine Lagarde - caso ela de fato seja selecionada, ser? a primeira mulher a ocupar o cargo.

30 de junho
Segundo o comunicado desta sexta, a decis?o final sobre o novo diretor-gerente ser? anunciada em 30 de junho.

"O candidato escolhido ter? um hist?rico eminente em pol?ticas econ?micas em n?vel s?nior", diz o texto a respeito do "processo seletivo".

"Ele ou ela deve ter demonstrado as habilidades gerenciais e diplom?ticas necess?rias para liderar uma institui??o global e ser? cidad?o de qualquer um dos pa?ses-membros do Fundo."
O FMI, que est? sob o comando interino do vice de Strauss-Kahn, o americano John Lipsky, afirma que a sa?da do franc?s n?o afetou suas opera??es de rotina. Mas o Fundo est? sob press?o para encontrar rapidamente um sucessor, enquanto tenta estabilizar a ainda fr?gil economia global.

Ap�s queda de Strauss-Kahn, FMI anuncia processo de sele��o de novo diretor

UOL EconomiaAp?s queda de Strauss-Kahn, FMI anuncia processo de sele??o de novo diretor20/05/2011EFE - Economia4@UOLEconomia #UOL(atualiza com nota do FMI sobre sele??o do diretor-gerente).

Teresa Bouza.

Washington, 20 mai (EFE).- O Fundo Monet?rio Internacional (FMI) anunciou nesta sexta-feira que ir? inaugurar na pr?xima segunda-feira um processo "aberto, baseado em m?ritos e em transpar?ncia" para escolher o novo diretor-gerente da institui??o, ap?s a ren?ncia do franc?s Dominique Strauss-Kahn.

A promessa de transpar?ncia p?e fim ao hermetismo que caracterizou a designa??o do respons?vel do organismo, dirigido por um europeu desde sua cria??o em 1945.

O Conselho ser? o respons?vel por eleger o sucessor de Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo na ?ltima quinta-feira, da cela onde estava preso no centro penitenci?rio Rikers Island, com "infinita tristeza" e abatido pelo esc?ndalo sexual que amea?a arruinar sua bem-sucedida carreira pol?tica.

Strauss-Kahn, que aparecia nas pesquisas como favorito para as elei??es presidenciais de 2012 na Fran?a, foi indiciado na Justi?a americana por sete acusa??es - entre elas a de tentativa de estupro contra uma camareira de um hotel em Nova York -, em uma audi?ncia na qual obteve liberdade condicional pagando uma fian?a de US$ 1 milh?o, al?m de deixar US$ 5 milh?es como garantia.

Sua ren?ncia ao cargo m?ximo do FMI deu in?cio ao que pode se transformar no primeiro processo realmente competitivo para a sele??o da lideran?a na hist?ria do Fundo.

Um acordo de cavalheiros firmado ao fim da Segunda Guerra Mundial sempre garantiu a chefia da institui??o a um cidad?o europeu, deixando a lideran?a do Banco Mundial a cargo de um americano.

No entanto, o crescente peso global dos pa?ses emergentes p?s em xeque esse privil?gio. O mundo em desenvolvimento exige agora mudan?as em um sistema que considera defasado.

"O prazo de candidaturas come?a no dia 23 de maio e termina em 10 de junho", indicou o FMI em comunicado assinado por Shakour Shaalan, membro do Conselho Executivo da institui??o. "Os candidatos dever?o ter uma distinta trajet?ria na gest?o de pol?ticas econ?micas ao mais alto n?vel", acrescenta a nota.

Uma vez recebidas as candidaturas para a lideran?a do FMI, que devem ser apresentadas por um governador ou diretor-executivo da institui??o, o Comit? Executivo tornar? p?blica uma lista com tr?s candidatos.

Se o n?mero de candidatos for superior a tr?s, o FMI manter? "em segredo" os nomes dos pr?-selecionados at? indicar um trio, "de acordo com o sistema de cotas de voto do Fundo" e no prazo m?ximo de sete dias. Posteriormente, o Conselho Executivo de 24 membros se reunir? com esses tr?s candidatos em Washington, onde fica a sede do FMI.

Em seguida, o principal ?rg?o do FMI se reunir? "para discutir as for?as dos candidatos e fazer uma sele??o". "Embora o Comit? Executivo do FMI possa selecionar o pr?ximo diretor-gerente por maioria de votos, o objetivo ? completar o processo de sele??o do diretor-gerente por consenso para 30 de junho", conclui a nota.

Durante esse per?odo, o Fundo ser? comandado pelo diretor-gerente interino do Fundo, John Lipsky, que pouco antes do esc?ndalo j? havia anunciado sua inten??o de deixar o organismo em agosto.

O secret?rio do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, comentou nesta sexta-feira sobre a nova realidade, ao dizer que Washington realiza "amplas consultas" tanto com os acionistas emergentes do Fundo quanto com as economias avan?adas para substituir Strauss-Kahn.

"? importante que este seja um processo aberto e que se avance rapidamente para a sele??o de uma nova lideran?a ao FMI", ressaltou o titular do Tesouro americano.

Na mesma linha, Lipsky disse na quinta-feira que existe um acordo entre os membros da institui??o para que a sele??o do diretor-gerente seja "aberta, transparente e baseada em m?ritos".

De Paris, o secret?rio-geral da Organiza??o para Coopera??o e o Desenvolvimento Econ?mico (OCDE), o mexicano ?ngel Gurr?a, assinalou nesta sexta-feira que este "? o momento" para o FMI ser liderado por um diretor-gerente n?o europeu.

Apesar de 187 na??es estarem representadas no FMI, as principais vozes na institui??o continuam sendo os Estados Unidos e os pa?ses-membros da Uni?o Europeia (UE), que controlam mais de 50% do poder de voto por serem os maiores contribuintes do or?amento do Fundo.

A sele??o de um novo l?der requer uma maioria simples, o que significa que o acordo t?cito de 1945 entre EUA e Europa garante a designa??o de um candidato desejado por ambos. Embora a sele??o possa ser submetida a vota??o, o Fundo prefere que ela seja por "consenso".

A UE expressou sua inten??o de escolher um candidato de consenso, que, segundo todos os ind?cios, poderia ser a atual ministra das Finan?as da Fran?a, Christine Lagarde.

Quem pretende entrar na disputa ? Grigori Marchenko, governador do Banco Nacional do Cazaquist?o, que recebeu nesta quinta-feira o apoio da R?ssia e de outros dez membros da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) - bloco das ex-na??es sovi?ticas.

"Se os grandes pa?ses em desenvolvimento podem apresentar um ?nico candidato, e n?o obrigatoriamente devo ser eu, ent?o essa pessoa ter? muitas oportunidades de ganhar", assinalou Marchenko nesta sexta-feira, citado pelas ag?ncias de not?cias russas.

Segundo os crit?rios estabelecidos para a sele??o do diretor-gerente em 2007, quando Strauss-Kahn assumiu a chefia, o eleito deve possuir um hist?rico "distinto" no terreno econ?mico e na formula??o de pol?ticas.

"Ele ou ela dever? ter uma trajet?ria econ?mica de destaque e comprovadas qualidades gerenciais e diplom?ticas, necess?rias para liderar uma institui??o global", indicou ent?o o organismo.

19 maio 2011

Dominique Strauss-Kahn renuncia à chefia do FMI

Cedendo à crescente pressão, Dominique Strauss-Kahn renunciou ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em comunicado divulgado na noite desta quarta, o FMI anunciou que o economista francês de 62 anos apresentou sua renúncia perante o diretório da instituição financeira e negou "com a mais absoluta firmeza" todas as acusações apresentadas contra ele. Strauss-Kahn está preso em Nova York acusado por uma camareira de 32 anos de abuso sexual.

Segundo a nota divulgada, o homem antes cotado para presidir a França tomou a decisão de deixar o Fundo "com infinita tristeza" e pensando, em primeiro lugar, em sua esposa, filhos, família e amigos.

No breve comunicado, o economista também se dirige aos colegas de FMI: "alcançamos grandes conquistas nos últimos três anos e meio", afirmou, em referência ao reconhecido desempenho da instituição para lidar com os desdobramentos da crise financeira de 2008, em particular na costura de pacotes de socorro a países europeus - era, aliás, o que estaria fazendo esta semana, não fosse sua prisão no aeroporto JFK, em Nova York, pouco antes de embarcar rumo a Paris.

Strauss-Kahn acrescenta em sua carta de renúncia que tomou a decisão porque quer proteger o FMI, "que serviu com honra e devoção, e especialmente porque quero dedicar todas as minhas forças, meu tempo e energia em provar a minha inocência" - passagem que parece indicar a renúncia, também, à corrida presidencial na França.

Strauss-Kahn está confinado no presídio de Rikers Islands à espera da próxima audiência judicial. Na primeira, teve negado o pedido de liberdade mediante fiança. Nesta quinta, em nova audiência, tentará mais uma vez ganhar a liberdade.

Pressão - A renúncia de Strauss-Kahn vinha sendo ventilada desde seu indiciamento, na segunda-feira, por ato sexual criminoso, cárcere privado e tentativa de estupro. Na terça-feira, duas ministras europeias sugeriram que o economista considerasse a renúncia. Na sequência, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, foi bem mais enfático ao constatar que é "evidente" que Strauss-Kahn não está em condições de dirigir a instituição. A renúncia deve ser recebida com alívio, embora nesta quarta o Tesouro americano não tenha feito nenhum comentário.

Sucessão - O escândalo envolvendo Strauss-Kahn já havia precipitado as apostas para sua sucessão. O número 2 do Fundo é o americano John Lipsky, mas ele já anunciou que deixa o cargo em agosto, enquanto o mandato de Strauss-Kahn só termina oficialmente em setembro de 2012.

Historicamente, a direção do Fundo é reservada a europeus, e a do Banco Mundial, em contrapartida, a americanos. O nome mais cotado é o da também francesa Christine Lagarde, ministra de Finanças, mas também aparecem na bolsa de apostas Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico, e Axel Weber, ex-presidente do Banco Central Alemão.

Apesar da vantagem dos europeus, países emergentes fazem pressão para que o FMI reflita seu crescente peso na economia mundial e, além disso, que a direção do Fundo seja decidida com base no mérito, não na geografia - o que o mercado não espera que venha ocorrer tão cedo, em particular em meio às turbulências financeiras na periferia do bloco europeu.

Emergentes - De qualquer forma, já circulam nomes para suceder Strauss-Kahn ligados a economias emergentes: o ex-ministro de Economia da Turquia, Kemal Dervis; o chefe do Banco Central mexicano, Agustín Carstens, que já foi o número 2 do FMI; Mohamed El-Erian, que tem cidadania egípcia e francesa e preside o maior fundo de investimentos do mundo, o PIMCO; e o ex-ministro de Economia da África do Sul, Trevor Manuel.

Até esta quarta, segundo o jornal Financial Times, nenhum dos políticos e economistas havia manifestado interesse na disputa.

(com EFE)

Defesa de Strauss-Kahn tentará fiança novamente na quinta

O francês Dominique Strauss Kahn foi acusado de estupro em Nova York

O francês Dominique Strauss-Kahn foi acusado de estupro, que teria ocorrido em Nova York

Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), acusado de crimes sexuais nos Estados Unidos, pode obter liberdade sob pagamento de fiança na quinta-feira, informou nesta quarta a rede de notícias americana CNN. A defesa do político francês tenta conseguir um acordo com a promotoria de Manhattan nas próximas horas, apesar de um pedido de fiança já ter sido negado na segunda. Um funcionário do tribunal onde o francês será julgado disse que a sessão está relacionada a um recurso especial para o acusado.

Tristane Banon Tristane Banon

Depois da prisão de Strauss-Kahn em Nova York, não param de surgir acusações de assédio e agressão sexual contra ele. A mais recente veio de uma repórter de um jornal europeu, afirmando que o diretor-gerente do FMI propôs conceder uma entrevista em troca de favores sexuais. A denúncia da jornalista foi publicada nesta quarta-feira no diário britânico The Times. Na reportagem, a moça relata como o ex-ministro de finanças francês se aproximou dela após uma coletiva. "Ele conseguiu meu número de telefone com a sua embaixada ou mesmo com o Instituto Francês e passou a me ligar dizendo: 'Se facilitar as coisas, terá sua entrevista", contou a mulher, a quem o jornal deu o nome fictício de Martina".Em novembro do ano passado, dois anos depois desse primeiro encontro, o responsável pelo FMI teria se apresentado na cidade na qual a jornalista residia e insistiu. Dessa vez afirmou que lhe concederia uma entrevista, mas, para isso, ela "tinha que passar um fim de semana com ele em Paris ou em algum outro lugar", segundo o relato. "Disse, quase de forma explícita, que eu tinha que me deitar com ele para poder entrevistá-lo ", afirmou Martina.Na França, ganharam força as acusações da jovem escritora Tristane Banon. Em 2007, durante o programa de televisão ‘Grand N’Importe Quoi’, Banon relatou um episódio violento em que DSK tentou estuprá-la durante um encontro em um elegante apartamento vazio em Paris. “Nós brigamos a ponto de rolar no chão”, contou. Complô - Apesar de depoimentos deste tipo, a maioria dos franceses parece acreditar que o então favorito do Partido Socialista para concorrer à presidência seja vítima de um complô. Segundo uma pesquisa do instituto CSA publicada nesta quarta-feira, 57% dos franceses apostam em sua inocência, 32% não creem em uma armação e 11% preferiram não opinar. Também a esposa de Strauss-Kahn, Anne Sinclair, duvida de qualquer das acusações e já declarou apoio total ao marido. 

(Com agência EFE)

17 maio 2011

'Sexo com camareira pode ter sido consentido', diz defesa de Strauss-Kahn

Strauss-Kahn, no tribunal penal de Manhattan, Nova York

Strauss-Kahn, no tribunal penal de Manhattan, Nova York (Emmanuel Dunand / AFP)

A defesa do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, admitiu que o seu cliente pode ter mantido relações sexuais com a camareira que o acusa  de tentativa de estupro. Contudo, o advogado Benjamin Brafman disse que, se isso de fato ocorreu, foi de maneira consensual. As declarações, que teriam sido feitas durante uma audiência nos Estados Unidos na segunda-feira, foram publicadas nesta terça pelo jornal New York Post . A nova versão contradiz a tese divulgada na véspera pela defesa, alegando que Strauss-Kahn estaria almoçando com a filha na hora do crime.

"As provas, a nosso ver, não apontam para um encontro realizado à força", disse Brafman ao jornal. Uma fonte anônima próxima à defesa de Strauss-Kahn e citada pelo jornal nova-iorquino também afirmou que "pode ter havido consentimento" da camareira. Sobre ela sabe-se apenas que se trata de uma imigrante africana de 32 anos.

Acusações - Além de destoar da primeira justificativa dada por Strauss-Kahn, a nova versão da defesa é bem diferente do relato apresentado pela Promotoria de Manhattan. A acusação afirma que o francês fechou a porta do quarto do hotel para evitar que a vítima, uma empregada do setor de limpeza do estabelecimento, pudesse escapar. "Ele pegou sua vítima pelo peito sem o seu consentimento, tentou tirar sua roupa de baixo e, além disso, manuseou suas partes íntimas", declarou a Promotoria.

A juíza do tribunal nova-iorquino responsável pelo caso, Melissa Jackson, negou na segunda-feira o pedido de liberdade, solicitado pelo advogado de defesa mediante fiança de 1 milhão de dólares. Ela estimou que havia a possibilidade de Strauss-Kahn fugir do país, dado que a França não tem tratado de extradição com os Estados Unidos. 

Contudo, Brafman contestou o risco. "Não se trata de alguém que ia escapar da Justiça. Ele tem quatro filhos, e ser acusado de estupro é algo que se quer resolver", declarou o polêmico advogado, conhecido nos EUA por defender estrelas, como Michael Jackson, e utilizar todo tipo de técnicas na defesa de seus clientes - inclusive chorar diante do júri. Agora, ele tentará evitar que Strauss-Kahn seja condenado a uma pena que pode chegar a 25 anos de prisão.

Franceses acreditam na inocência de Strauss-Kahn

Dominique Strauss-Kahn com Anne Sinclair

Dominique Strauss-Kahn com Anne Sinclair (Caroline Blumberg/EFE)

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira na França mostrou que 57% da população acredita que o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi vítima de um complô. DSK, como é conhecido em seu país, foi preso em Nova York no último final de semana, acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro de uma camareira.

De acordo com a sondagem, realizada pelo instituto CSA e publicada pelo site do jornal francês Le Fígaro, 32% dos entrevistados não acreditam na possibilidade de um complô e 11% não opinaram. Entre os socialistas, 70% creem em complô contra 23% que não acreditam que houve armadilha para DSK e 7% que não se pronunciaram. O levantamento foi feito na segunda-feira, por telefone, com 1.007 pessoas maiores de 18 anos em todo o país.

A mulher - Aos incrédulos sobre a real culpa de DSK, soma-se a mulher dele, que apoia firmemente o marido. Anne Sinclair, uma premiada entrevistadora de televisão de olhos azuis, conheceu Strauss-Kahn em 1989. Ela estava no ápice de sua carreira como apresentadora de um programa na TFI, principal emissora privada da França. Durante anos, sua fama foi bem maior que a dele.

Sinclair se tornou a terceira esposa do socialista, em 1996. E ele é o segundo marido da jornalista. De acordo com conhecidos, os dois formam um casal carinhoso que tem uma relação fácil e gosta de passar as férias junto com os amigos em sua casa na cidade marroquina de Marrakesh. Parte desta parceria se deve ao fato de Sinclair ter sacrificado sua carreira pela do marido, desistindo de seu programa quando ele foi nomeado ministro das Finanças, em 1997. 

Atualmente, muitos na esquerda francesa a consideravam como a primeira-dama ideal se, como esperado, Strauss-Kahn se candidatasse à eleição presidencial de 2012 pelo Partido Socialista. Contudo, esse sonho parece ter ido por água abaixo quando o diretor-gerente do FMI foi preso no sábado em um avião da Air France, depois que uma camareira de um luxuoso hotel de Nova York o acusou de agressão sexual. Ele negou as acusações.

Sinclair, que estava visitando amigos em Paris, rapidamente se manifestou em sua defesa, dizendo em um comunicado divulgado no próprio domingo: "Não acredito por um segundo nas acusações feitas contra meu marido". Ela voou até Nova York, chegando tarde demais para vê-lo aparecer em um tribunal de Manhattan, onde um juiz lhe negou fiança e ordenou-lhe que fosse detido na prisão de Rikers Island até uma nova audiência, na sexta-feira. Ela não foi vista em público desde então.

Esquerda caviar - O casal - que tem casas elegantes em Paris, em Riad, na Arábia Saudita, e em Marrakesh, e um círculo de amigos ricos e poderosos -, é frequentemente citado como pertencente à "esquerda caviar". O termo é usado para definir pessoas que defendem princípios socialistas, mas têm estilos de vida bem distantes da realidade da classe trabalhadora.

A relação dos dois também enfrentou desafios no passado, especialmente quando Strauss-Kahn, um mulherengo confesso, admitiu ter tido um caso com uma funcionária do FMI em 2008. Sinclair tratou a questão como um escorregão passageiro e escreveu em seu blog: "Nós nos amamos como no primeiro dia".

Ao mesmo tempo em que o drama atual se desdobra em Nova York, uma escritora francesa está considerando apresentar uma queixa legal sobre um incidente sexual envolvendo Strauss-Kahn, em 2002, quando ela tinha 22 anos. "Sinclair parece viver em negação", disse um conhecido de longa data de Strauss-Kahn, falando sob condição de anonimato.

(Com agências Reuters e Estado)

16 maio 2011

Audiência preliminar de Strauss-Kahn é adiada

Algemado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, deixa delegacia em Nova York após aceitar submeter-se a exame de corpo de delito

Algemado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, deixa delegacia em Nova York após aceitar submeter-se a exame de corpo de delito (Jewel Samad/AFP)

Prevista para este domingo, a audiência preliminar para a apresentação formal de acusações contra o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi adiada. A polícia de Nova York quer primeiro submetê-lo a mais provas. Segundo o diário americano The Wall Street Journal, Strauss-Kahn aceitou submeter-se a um exame de corpo de delito. Os investigadores acreditam que a perícia possa revelar marcas de arranhões que o chefe do FMI teria sofrido ao abusar da camareira de um hotel em Manhattan. Strauss-Kahn foi detido no sábado, pouco antes de embarcar rumo a Paris, e indiciado por tentativa de estupro, ato sexual ilícito e detenção ilegal.

Também neste domingo, o chefe do FMI foi reconhecido pela funcionária do Sofitel New York, de 32 anos, que o acusa de abuso sexual. Segundo um porta-voz da polícia, a camareira compareceu à delegacia onde Strauss-Kahn está detido e o identificou entre um grupo de homens. 

Conforme declararam seus advogados, Ben Brafman e William Taylor, o diretor do Fundo se declarará inocente das acusações quando comparecer perante um juiz em audiência preliminar, algo que se espera que ocorra ao longo das próximas horas. Brafman é um especialista no sistema penal de Nova York e já teve como cliente o cantor Michael Jackson. Taylor disse à imprensa que seu cliente está cansado, mas passa bem.

A notícia da detenção de Strauss-Kahn caiu como uma bomba tanto na França, onde se dava como certa sua candidatura para as eleições presidenciais do próximo ano, como na sede do FMI em Washington. A líder do Partido Socialista francês, Martine Aubry, afirmou ter ficado surpresa com a detenção de Strauss-Kahn. "Peço a todos que esperem a realidade dos fatos e respeitem a presunção de inocência", disse. O porta-voz do governo francês, François Baroin, também pediu respeito à "presunção de inocência".

O porta-voz do FMI, Bill Murray, informou que também foi adiada neste domingo a reunião de urgência do conselho diretor prevista para esta tarde, em que seria abordado o escândalo envolvendo Strauss-Kahn. Com o escândalo, o diretor-assistente do FMI, John Lipsky, assumiu temporariamente a direção da instituição. Segundo o porta-voz do fundo, Bill Murray, "de acordo com os procedimentos normais no FMI", Lipsky exerce as funções de diretor-gerente enquanto o titular não se encontra em Washington, a sede da instituição multilateral. O mandato de Strauss-Kahn à frente do FMI termina oficialmente em setembro de 2012

Strauss-Kahn, presidenciável francês sob ameaça

O diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, que enfrenta acusações de agressão sexual em Nova York, foi visto nas pesquisas de opinião mais recentes como o pré-candidato com mais chances de vencer a eleição presidencial de 2012 na França, e tomar o lugar de Nicolas Sarkozy.O socialista de 62 anos, que foi ministro das Finanças da França no final dos anos 1990, mudou-se para Washington no final de 2007 para chefiar o Fundo Monetário Internacional, exatamente quando a economia global era atingida pela pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.Controvérsias não constituem novidade na vida de Strauss-Kahn. Em 2008, ele foi investigado pelo FMI por possível abuso de poder envolvendo um caso extraconjugal breve com uma economista da instituição. Ele foi inocentado de abuso de poder e pediu desculpas públicas por um "grave erro de julgamento". Mas a notícia de sua detenção no aeroporto JFK, em Nova York, dificilmente poderia ter chegado em um momento mais crítico.O Partido Socialista francês, principal agrupamento oposicionista do país, realiza uma disputa "primária" para escolher seu candidato na disputa presidencial, e os pré-candidatos precisam inscrever-se em pouco tempo. A expectativa ampla era que Strauss-Kahn declarasse suas intenções até o final de junho.Em uma seleção primária semelhante em 2006, Strauss-Kahn perdeu para Ségolène Royal, em uma performance decepcionante que levou o embaixador dos Estados Unidos na época a afirmar que Strauss-Kahn não possuía o "fogo no ventre" necessário para travar uma campanha presidencial.Marrocos  — Criado no Marrocos e Mônaco em uma família judia secular e liberal, Strauss-Kahn teve uma carreira acadêmica antes de lançar-se na política. Diplomático e poliglota, espirituoso e autoconfiante, ganhou a reputação de ótimo orador público e negociador charmoso em discussões reservadas.Como Sarkozy, ele já foi casado três vezes, a primeira delas com sua namorada dos tempos de colegial, aos 18 anos. Para alguns franceses de uma geração mais velha, a terceira e atual esposa de Strauss-Kahn, Anne Sinclair, pode ser uma celebridade maior que ele, apesar de ter há muito tempo trocado seu emprego de entrevistadora mais vista da TV francesa pelo papel de mulher leal, além de blogueira em tempo parcial.Anne Sinclair, que se casou com Strauss-Kahn quando ele era ministro da Indústria, em 1991, no governo do falecido presidente socialista François Mitterrand, é neta e herdeira de um dos maiores marchands de arte da França. Ela nasceu em Nova York, para onde seu pai fugiu durante a perseguição nazista aos judeus, na Segunda Guerra Mundial.Quando Strauss-Kahn precisou fazer um pedido público de desculpas pelo caso extraconjugal no FMI, Anne permaneceu a seu lado de uma maneira que a levou a ser comparada a Hillary Clinton, a secretária de Estado norte-americana e mulher do ex-presidente Bill Clinton, à época também envolvido em um escândalo sexual.Os eleitores franceses têm atitude tolerante em relação à vida sexual de seus líderes, e a mídia francesa tende a evitar esse assunto, por questão de princípio. Uma filha que Mitterrand teve fora do casamento era desconhecida da maioria das pessoas até que apareceu no funeral do ex-presidente.Longe da França, Strauss-Kahn, como diretor-gerente do FMI, vem cuidadosamente reforçando suas credenciais de esquerda e construindo um livro de contatos que supera os de muitos estadistas. Além disso, tem encontrado bastante tempo para visitar seu país de origem, além de uma casa em Marrakesh, no Marrocos, onde sua família e amigos promovem encontros regulares.Crise mundial — Strauss-Kahn gosta de divulgar que, quando a crise econômica global se abateu sobre o mundo, no final de 2007, ele foi o primeiro a dizer que os líderes mundiais teriam que desembolsar trilhões de dólares para combater a depressão.Na França, Strauss-Kahn foi o arquiteto da política econômica que ajudou a levar os socialistas ao poder em 1997 e lhe valeu o cargo de ministro das Finanças. Ele é economista de formação e, em um período da década de 1970, aparentava estar destinado a uma carreira acadêmica importante nesse campo. (Reuters, com The New York Times)

Indiciado, Dominique Strauss-Kahn alega inocência

O francês Dominique Strauss Kahn foi acusado de estupro em Nova York

O francês Dominique Strauss Kahn foi acusado de estupro em Nova York

Pré-candidato à presidência francesa, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn – indiciado, neste domingo, por agressão sexual e tentativa de estupro –, alega inocência, segundo seu advogado, Benjamin Brafman — um especialista no sistema penal de Nova York que já teve como cliente o cantor Michael Jackson.

Esta não é primeira vez que Strauss-Kahn se vê envolvido em um incidente vinculado a uma agressão sexual. Em 2008, ele teve uma relação extraconjugal com uma economista húngara do FMI. A instituição financeira investigou o caso e concluiu que a relação foi consensual, mas considerou a conduta inapropriada.

Troca de comando no FMI — Após a notícia da detenção, o FMI divulgou um comunicado em seu site, no qual tenta tranquilizar a comunidade internacional. "O FMI segue completamente funcional e operacional", afirma a nota, assinada pela diretora mundial de relações externas, Caroline Atkinson. 

O diretor-assistente do fundo, John Lipsky, assumiu temporariamente a direção da instituição. Segundo o porta-voz do fundo, Bill Murray, "de acordo com os procedimentos normais no FMI", Lipsky exerce as funções de diretor-gerente enquanto o titular não se encontra em Washington, a sede da instituição multilateral.

O mandato de Strauss-Kahn à frente do FMI termina oficialmente em setembro de 2012, vários meses após a data das eleições presidenciais na França, mas o meio político francês acreditava que o diretor do fundo renunciaria ao atual cargo para disputar a liderança do país com o presidente Nicolas Sarkozy.

A mulher de Strauss-Kahn, a renomada jornalista Anne Sinclair, afirmou neste domingo que não acredita "nem por um segundo nas acusações" contra seu marido.

Indiciamento — De acordo Ryan Sesa, porta-voz da polícia do Harlem, no norte de Manhattan, Strauss-Kahn, 62 anos, "foi indiciado por agressão sexual, retenção ilegal e tentativa de estupro de uma mulher de 32 anos em um quarto de hotel em Nova York". A funcionária do hotel Sofitel de Nova York afirma que, neste sábado, Strauss-Kahn saiu nu do banheiro quando ela trabalhava e a agrediu. 

Segundo o relato da funcionária, publicado pela imprensa americana, a mulher entrou no quarto do diretor do FMI por acreditar que estava desocupado. Mas, quando estava limpando o local, Strauss-Kahn saiu do banheiro e tentou estuprá-la, afirma o jornal The New York Times, que cita o subcomissário de polícia de Nova York, Paul Browne.

Segundo a camareira, o francês a agarrou, a jogou na cama e trancou a porta. A mulher disse que conseguiu correr, mas Strauss-Kahn a pegou novamente e a levou para o banheiro. De acordo com o canal MSNBC, Strauss-Kahn obrigou a vítima a praticar sexo oral e tentou arrancar as roupas íntimas dela. Mas a mulher conseguiu escapar e fugiu do quarto. Em seguida alertou os outros funcionários do hotel, que ligaram para o serviço de emergência policial, o 911.

Segundo fontes policiais, Strauss-Kahn deixou o hotel de maneira precipitada e esqueceu o telefone celular e outros objetos pessoais. Detido ainda no sábado, no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, já em um avião da Air France que decolaria em dez minutos com destino à Europa, Strauss-Kahn foi levado à delegacia do Harlem. O diretor do FMI recebeu à noite a visita de um diplomata francês, amparado pela proteção consular que a França oferece a todos os seus cidadãos.

Na França — Na França, a detenção causou perplexidade. A líder do Partido Socialista francês, Martine Aubry, afirmou ter ficado surpresa com a detenção de Dominique Strauss-Kahn. "As notícias que nos chegam de Nova York desde a noite de ontem parecem, evidentemente, um trovão. Estou, como todo mundo, totalmente estupefata", declarou Aubry. "Peço a todos que esperem a realidade dos fatos e respeitem a presunção de inocência", completou.

O porta-voz do governo francês, François Baroin, também pediu neste domingo o respeito à "presunção de inocência". "O governo francês respeita dois princípios simples: o de um procedimento judicial em curso sob a autoridade da justiça americana, segundo as modalidades americanas, e o respeito da presunção de inocência", declarou Baroin ao canal de televisão France 2.

(Com agências Reuters, France-Presse e EFE)

França chocada com acusação de abuso sexual contra Strauss-Kahn

A prisão do diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn causou choque e incredulidade na França, onde um porta-voz do governo pediu cautela e respeito, partindo do pressuposto de que todos são inocentes até que se prove o contrário.

"As notícias que recebemos de Nova York no sábado à noite vieram como um trovão", disse a líder socialista Martine Aubry, pedindo por união do partido. François Bayrou, oposicionista de centro de Strauss-Kahn, disse que "tudo isso é completamente espantoso, imensamente embaraçoso e aflitivo". "Se os fatos se provarem verdadeiros, é algo degradante para todas as mulheres. E é terrível para a imagem da França."

A líder francesa de extrema direita Marine Le Pen disse que as esperanças de Strauss-Kahn por uma candidatura à presidência francesa acabaram. Strauss-Kahn e Marine Le Pen vêm aparecendo em primeiro e segundo lugares, respectivamente, em pesquisas recentes sobre as eleições presidenciais do próximo ano, à frente do presidente conservador Nicolas Sarkozy, apesar de o diretor-gerente do FMI ainda não ter declarado sua candidatura. "O caso e as acusações marcam o fim de sua para a presidência e irão provavelmente levar o FMI a pedir que ele deixe o posto", disse.

Até mesmo aliados políticos de Strauss-Kahn estão pessimistas. "O desfecho mais provável é que o caso vai ficar na memória e mesmo se ele se declarar inocente, o que deve ocorrer, provavelmente ele não terá condições de ser o candidato Socialista para a Presidência e não será capaz de permanecer no FMI", disse o proeminente socialista Jacques Attali.

(Com agência Reuters)