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25 maio 2011

Sarkozy monitorava vida privada de Strauss-Kahn, diz jornal

Sarkozy conhecia a vida privada de seus rivais políticos, segundo jornal francês

Sarkozy conhecia a vida privada de seus rivais políticos, segundo jornal francês (Lionel Bonaventure/AFP)

Jornalistas do diário teriam recebido de colaboradores do presidente Sarkozy informações de que há um registro policial sobre Strauss-Kahn. Segundo o documento, DSK - como é conhecido no país - teria sido visto em uma “posição indecorosa” dentro de um carro em uma área de prostituição de Paris."O Palácio do Eliseu (sede da Presidência francesa), bem mais do que a imprensa, não ignorava nada da vida privada de Strauss-Kahn. O poder, alimentado pelas redes policiais, sabe os segredos mais íntimos dos políticos e usa até mesmo as informações com caráter sexual que dispõe", afirmou o Le Monde.Investigação - Segundo o jornal, Sarkozy nomeou uma equipe para postos importantes dos serviços de inteligência e de polícia em 2002, logo depois de assumir o cargo de ministro do Interior. Isso significaria que cinco anos antes de chegar à Presidência, ele já conhecia aspectos da vida privada de políticos que poderiam representar uma ameaça eleitoral."Na época dos fatos, foi decidido no alto escalão não dar continuidade ao ocorrido, nem penalmente nem na mídia. Como DSK não havia passado nas primárias socialistas, no final de 2006, ele não representava mais o mesmo desafio", diz o artigo do jornal francês.Quando Sarkozy apoiou Strauss-Kahn a assumir a direção do FMI, a oposição interpretou a atitude do presidente como uma forma de ele se livrar de um forte rival nas eleições presidenciais de 2012. Afinal, DSK teria de renunciar ao seu cargo no Fundo para concorrer à Presidência. De fato, nas últimas pesquisas de opinião realizadas na França, Dominique Strauss-Kahn aparecia como o favorito dos eleitores."Nos últimos meses, à medida que DSK avançava nas pesquisas, colaboradores de confiança de Sarkozy se vangloriavam diante de jornalistas de ter o diretor do FMI nas mãos. Foi assim que esse registro policial veio providencialmente à tona", escreveu o Le Monde.Histórico - Esta não é a primeira vez em que Sarkozy está envolvido em um caso de espionagem. Em 2010, o Le Monde acusou a Presidência francesa de violar a lei sobre o sigilo das fontes dos jornalistas. Segundo o periódico, o governo utilizou o serviço de contraespionagem para identificar uma pessoa citada em uma reportagem do mesmo jornal sobre o escândalo envolvendo a empresa L´Oréal e um financiamento ilegal da campanha de Sarkozy, em 2007.

19 maio 2011

Sarkozy é o assunto também no Festival de Cannes

Carlos Helí de Almeida, de CannesO presidente francês Nicolas Sarkozy durante reunião em Versalhes, a oeste de Paris

O presidente francês Nicolas Sarkozy durante reunião em Versalhes, a oeste de Paris (Eric Feferberg/AFP)

“O presidente é mostrado como um ser humano. Somos o conjunto de diversas facetas e temos que levar em conta esta complexidade. Não sou intimo ou muito próximo de Nicolas Sarkozy. Eu me vi confrontado com um personagem como Hamlet ou Harpagon”, disse Durringer

O lançamento da campanha de Nicolas Sarkozy à reeleição coincidiu com dois episódios que, até agora, têm beneficiado o presidente francês. O primeiro – e inesperado – foi o fato de o principal provável rival, o socialista Dominique Strauss-Kahn, ter sido preso em Nova York no último sábado, acusado de abuso sexual. O segundo – e muito provavelmente planejado – ponto de virada na história de Sarkozy e da eleição francesa é o anúncio da gravidez da primeira-dama Carla Bruni, que tem contribuído para algum verniz de simpatia ao político de direita, num momento em que a popularidade do presidente não é das melhores.

Nesta quarta-feira, 18, no Festival de Cannes, em um dia especialmente dedicado a polêmicas, estreou o que pode ser considerado um terceiro elemento favorável a Sarkozy, em uma sequência de eventos que certamente fará o “maio de 2011” um mês inesquecível para o marido de Carla Bruni: é La Conquête, exibido como parte do lote de títulos hors concours. O filme de Xavier Durringer dramatiza os momentos que antecederam a vitória de Nicolas Sarkozy nas eleições que o conduziram ao Palácio do Eliseu.

“Não se trata de um filme feito com objetivos políticos”, defendeu-se Durringer, durante a coletiva de imprensa que se seguiu à projeção de La Conquête. “O presidente é mostrado como um ser humano. Somos o conjunto de diversas facetas e temos que levar em conta esta complexidade. Não sou intimo ou muito próximo de Nicolas Sarkozy. Eu me vi confrontado com um personagem como Hamlet ou Harpagon”.

Como se sabe no Brasil, nem sempre são previsíveis os efeitos que têm entre si eleições e cinema. O filme Lula, o filho do Brasil, lançado em ano eleitoral – janeiro de 2010, revelou-se um fiasco de público e crítica. O título, dirigido por Fábio Barreto, amargou ainda outro episódio indigesto: a escolha do filme para representar o Brasil na disputa para a indicação ao melhor filme de língua estrangeira no Oscar de 2010 indignou parte do público e dos profissionais ligados ao cinema – levantando dúvidas sobre os méritos cinematográficos da história do presidente.

Cinema e política – Ao longo dos últimos anos, o Festival de Cannes abriu espaço em sua programação oficial para filmes com motivações políticas. Esta plataforma permite dar mais visibilidade a títulos que dificilmente conseguiriam espaço digno na mídia, como o documentário The Big Fix, da americana Rebecca Tickell, que investiga o derramamento de petróleo no Golfo do México, ano passado, um dos títulos mais controversos da programação do 64º Festival de Cannes.

O filme, que ganhou o apoio dos atores Peter Fonda e Tim Robbins, aqui funcionando como produtor executivo, denuncia sequelas ainda visíveis do desastre e a manipulação de seus desdobramentos por parte do governo americano.

“Nós visitamos os lugares atingidos para procurar as verdadeiras causas do derramamento e a dimensão do impacto do acidente na região”, contou Rebecca, que ainda carrega no corpo as marcas do contato prolongado com o óleo e os dispersantes químicos usados na operação de recuperação da área.

A quarta-feira de Cannes foi, até aqui, o dia de temperatura mais alta, no termômetro político. Além de The Big Fix e La Conquête, a programação deu de presente às manchetes do mundo todo a infeliz brincadeira feita pelo diretor dinamarquês Lars Von Trier, no lançamento de seu Melancolia. Depois de dizer, ironicamente, que seria simpatizante de Hitler, o cineasta teve de pedir desculpas e assumir o óbvio, para quem guarda algum bom senso: não se brinca com o sofrimento alheio, nem é possível manter total controle sobre frases tão controversas diante de jornalistas de todo o planeta.


LA CONQUÊTE (Teaser) por LePostfr