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27 maio 2011

Embaixador líbio na UE se retira e deixa regime de Kadafi

Tarja para o tema Líbia 2 Após conquistar terreno na fronteira com a Líbia, rebeldes se dirigem à região de Ghazaya para um confronto com as tropas de Kadafi

Renúncia foi protesto contra massacre da população líbia (Marwan Naamani / AFP)

O embaixador da Líbia junto à União Europeia e aos países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), Hadeiba Alhadi, anunciou esta quinta-feira que deixará o cargo com todos os seus colaboradores. Trata-se de um protesto contra a violenta repressão dos insurgentes contrários ao regime de Muamar Kadafi pelas tropas do governo.

"Depois de mais de quatro meses de derramamento de sangue do nosso povo, meus colegas e eu mesmo, no âmbito do escritório popular da Líbia em Bruxelas, anunciamos a nossa decisão de não representar mais o regime de Trípoli”, informou Alhadi em comunicado enviado à agência France-Presse.

O embaixador disse que ele e seus colegas ficarão "a serviço do povo líbio em sua luta pela democracia, o estado de direito e as instituições, bem como pela salvaguarda do país". Segundo organizações de direitos humanos, pelo menos 6.000 pessoas morreram desde o início da crise no país.

Histórico - Estes não são os primeiros membros do governo a abandonar Kadafi por causa da violência. O ministro de Petróleo da Líbia, Shokri Ghanem, deixou o regime, em 17 de maio, informaram os rebeldes líbios. A deserção teria ocorrido meses depois que o ministro das Relações Exteriores, Mussa Kussa, e o embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Abdussalm Trek, também abandonaram os seus cargos. 

(Com Agência France-Presse)

16 maio 2011

Enviados de Kadafi chegam à Rússia na terça para reunião

Rebelde na Praça da Revolução durante as orações de sexta-feira em Bengasi, Líbia

Rebelde na Praça da Revolução durante as orações de sexta-feira em Bengasi, Líbia (Saeed Khan/AFP)

O chanceler russo, Sergei Lavrov, informou, nesta segunda-feira, que o país vai receber nos próximos dias representantes do governo de Muamar Kadafi e dos rebeldes líbios. Apesar de a Rússia não ter um bom histórico no que diz respeito aos direitos humanos, o ministro sugeriu que o Kremlin tentará mediar o conflito no país africano. "Nós concordamos em realizar as reuniões em Moscou com representantes de Trípoli e Bengasi", disse Lavrov em uma reunião com o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) à Líbia, Abdelilah al-Khatib. 

"Enviados oficiais de Trípoli estarão aqui na terça-feira. Já os enviados de Bengasi deveriam chegar na quarta, mas informaram que foram forçados a adiar a visita por questões técnicas. Esperamos que o encontro ocorra em um futuro próximo", completou o ministro. Lavrov afirmou que o seu país está pronto para conduzir o diálogo entre as duas partes. Ele também repetiu o apelo de Moscou pelo fim dos combates na Líbia e pelo início das conversações. "Estamos muito, muito interessados em conter o mais rapidamente possível o derramamento de sangue na Líbia, e dar uma guinada para o diálogo político."

Batalhas - Enquanto governo se prepara para a visita a Moscou, o reduto do ditador, Trípoli, sofre ataques. De acordo com a TV estatal líbia, bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atingiram alvos civis e militares na capital e em Qasr Bin Ghashir, uma cidade próxima, na noite desta segunda-feira. Segundo testemunhas, explosões foram ouvidas na região em que mora o ditador. A emissora local afirmou que os ataques causaram “danos civis e militares”. Já a Otan não confirmou a ofensiva. 

(Com agência Reuters)

13 maio 2011

Governo líbio afirma que Kadafi está vivo

A TV estatal líbia divulgou imagens de Kadafi na quarta-feira para provar que o ditador está vivo

A TV estatal líbia divulgou imagens de Kadafi na quarta-feira para provar que o ditador está vivo (Mahmud Turkia / AFP)

O porta-voz do governo líbio, Musa Ibrahim, afirmou nesta sexta-feira que o ditador Muamar Kadafi está na capital, Trípoli, e goza de “boa saúde”. No mesmo dia, a televisão estatal transmitiu uma gravação em áudio na qual Kadafi diz que está escondido em um lugar onde não será encontrado e afirma que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) faz uma “cruzada covarde”. Esta semana, a aliança militar chegou a dizer que não sabia se o coronel ainda estava vivo. As declarações de Kadafi foram ao ar depois que o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que ele provavelmente havia sido ferido pelos ataques aéreos da Otan e que havia deixado Trípoli. Já Ibrahim afirmou, em uma coletiva de imprensa, que o ditador tem um "bom estado de ânimo e está com um excelente humor".Ataques - A televisão estatal da Líbia também afirmou que um ataque da Otan na cidade de Brega matou pelo menos 16 civis e feriu 40. Porém, a informação ainda não pôde ser verificada de forma independente.Em contrapartida, forças leais a Kadafi realizaram ataques com mísseis contra rebeldes, na cidade de Misrata, deixando dez mortos e 20 feridos, de acordo com um médico local. "Cinco casas foram destruídas e dois bebês foram mortos", disse ele. Na quarta-feira, os rebeldes haviam avançado significativamente sobre a cidade ao tomar o controle do aeroporto.Ajuda internacional -Também nesta sexta-feira, os rebeldes se encontraram com altos funcionários da Casa Branca em Washington. O objetivo deles é conseguir dinheiro e legitimidade diplomática a fim de continuar a batalha para derrubar o regime do coronel líbio.Estados Unidos, Grã-Bretanha e França dizem que vão manter sua campanha aérea liderada pela Otan até Kadafi ser afastado do poder. Contudo, os rebeldes afirmam que precisam também de dinheiro para conseguir manter suas posições em terra.(Com agências France-Presse e Reuters)

Tribunal Penal Internacional pedirá prisão de Muamar Kadafi

Procurador do TPI, Luis Moreno-Ocampo, deve requisitar o mandado de prisão de Kadafi

Procurador do TPI, Luis Moreno-Ocampo, deve requisitar o mandado de prisão de Kadafi (Mario Tama / AFP)

O procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, vai requisitar mandados de prisão contra o ditador da Líbia Muamar Kadafi, seu filho Saif al Islam e o chefe do sistema de espionagem do governo, Abdullah al Senussi. A informação foi divulgada, nesta sexta-feira, pela rádio espanhola Cadena Ser, citando fontes da corte. Moreno-Ocampo revelou detalhes de sua investigação ao Conselho de Segurança da ONU na semana passada. Contudo, esta é a primeira vez que o tribunal especificou as acusações: assassinato e perseguição, considerados crimes contra a humanidade, segundo a Convenção de Genebra. O processo - Um grupo de juízes irá avaliar as evidências da Promotoria antes de decidir se os acusados serão presos ou não. Não se sabe ainda quando os magistrados vão chegar à decisão final. A investigação do TPI,  o primeiro tribunal permanente encarregado de julgar os autores de genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, foi aberta em março.De acordo com o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, se Kadafi for condenado, nenhum dos 114 países que ratificam o estatuto do TPI poderá dar asilo a ele. O ditador ficaria impune apenas se fugisse para um país que não é membro da corte, como o Egito e a Argélia. Contudo, a condenação dificultaria até uma possível fuga, pois é improvável que Kadafi consiga deixar a Líbia sem o conhecimento das forças da Otan. Afinal, os países que compõem a aliança também fazem parte do TPI e acatam as decisões de seus juízes.Refugiados - O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou, nesta sexta-feira, que cerca de 1.200 refugiados da Líbia podem ter morrido no Mar Mediterrâneo ao tentar fugir da onda de assassinatos e perseguições por parte das tropas de Kadafi. "Cerca de 12.000 pessoas chegaram à Itália ou a Malta e tememos que pelo menos outras 1.200 tenham morrido ou estejam desaparecidas", indicou Melissa Fleming, porta-voz do Acnur.A entidade também confirmou a informação, divulgada na última segunda-feira, de que forças militares se recusaram a socorrer um barco que transportava 72 pessoas a caminho do território italiano. Contudo, não identificou a nacionalidade destes oficiais, apontados como membros da Otan pelos jornais que publicaram a notícia.  A maioria dos imigrantes morreu de sede, fome ou cansaço no decorrer da viagem, realizada entre o final de março e o início de abril.(Com agências France-Presse e Reuters)

09 maio 2011

Para chefe da Otan, 'tempo de Kadafi já está acabando'

O ditador da Líbia, Muamar Kadafi, chega a um hotel de Trípoli

O ditador da Líbia, Muamar Kadafi, chega a um hotel de Trípoli (Mahmud Turkia/AFP)

O secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, afirmou neste domingo que acredita que o tempo está acabando para o ditador líbio Muamar Kadafi, em meio ao longo conflito entre suas forças e os rebeldes que buscam tirá-lo do poder. "Acabou o jogo para Kadafi. Ele deve perceber que, mais cedo ou mais tarde, não haverá futuro para ele ou para seu regime", declarou Rasmussen à rede de TV americana CNN.

Rasmussen também avaliou que a guerra, que já dura cerca de dois meses, se resolverá através da política, e não militarmente. Dado "o vento de mudança" que atravessa o Norte da África e o Oriente Médio, a morte do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, e a crescente pressão sobre os talibãs no Afeganistão, o dinamarquês anunciou que está "muito otimista" de que Kadafi será retirado do poder depois de exercê-lo por mais de quatro décadas.

Também neste domingo, a cidade de Misrata, a 200 quilômetros da capital líbia Trípoli, voltou a ser palco de intensos combates. Na noite anterior, em Bengasi, o porta-voz político da rebelião e vice-presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdel Hafiz Ghoga, afirmou que a Itália entregará armas aos rebeldes. Em Roma, fontes do ministério das Relações Exteriores informaram que a Itália entregará "material de autodefesa" aos rebeldes.

A declaração italiana tentava mostrar que a ajuda aos rebeldes não feria as ordens da ONU - no âmbito da Resolução 1973 do Conselho de Segurança, há um embargo sobre as armas, e só outros tipos de material podem ser entregues. Assim como França e Grã-Bretanha, a Itália enviou um grupo de conselheiros militares a Bengasi para tentar ajudar o comando dos rebeldes a se organizar.

(Com agência France-Presse)