O processo de negociação individual dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro do próximo quatriênio está cada vez mais perto de ser finalizado. Nesta terça-feira, poucas horas depois de o São Paulo anunciar acordo com a Rede Globo, foi a vez de o Atlético-PR fazer o mesmo.
Com a oficialização do acerto da dupla, a Globo se aproxima da exclusividade de transmissão do Brasileiro entre 2012 e 2015. Dos vinte clubes que compõem o Clube dos 13, apenas Internacional, Atlético-MG, Portuguesa e Guarani ainda não assinaram com a emissora carioca. Os dois paulistas, porém, devem ficar de fora do acordo porque estão na segunda divisão.O acerto com São Paulo e Atlético-PR volta a movimentar a novela, que não tinha novas adesões há mais 40 dias. Assim como fez seus pares, o clube paranaense não revelou quanto vai receber da Globo, apenas que executivos da emissora se comprometeram a ampliar a exposição de jogos do clube no Brasileiro deste ano em TV aberta.Marcos Malucelli, presidente do Atlético-PR, comemorou o acordo. "Este contrato, histórico em termos de valores e dentro do contexto de valorização do mercado do futebol no Brasil, garante para o Atlético-PR um robusto aumento de receita no médio prazo, dando continuidade no processo de crescimento sustentável do clube", destacou o dirigente.25 maio 2011
19 maio 2011
Sarkozy é o assunto também no Festival de Cannes
O presidente francês Nicolas Sarkozy durante reunião em Versalhes, a oeste de Paris (Eric Feferberg/AFP)
“O presidente é mostrado como um ser humano. Somos o conjunto de diversas facetas e temos que levar em conta esta complexidade. Não sou intimo ou muito próximo de Nicolas Sarkozy. Eu me vi confrontado com um personagem como Hamlet ou Harpagon”, disse Durringer
O lançamento da campanha de Nicolas Sarkozy à reeleição coincidiu com dois episódios que, até agora, têm beneficiado o presidente francês. O primeiro – e inesperado – foi o fato de o principal provável rival, o socialista Dominique Strauss-Kahn, ter sido preso em Nova York no último sábado, acusado de abuso sexual. O segundo – e muito provavelmente planejado – ponto de virada na história de Sarkozy e da eleição francesa é o anúncio da gravidez da primeira-dama Carla Bruni, que tem contribuído para algum verniz de simpatia ao político de direita, num momento em que a popularidade do presidente não é das melhores.
Nesta quarta-feira, 18, no Festival de Cannes, em um dia especialmente dedicado a polêmicas, estreou o que pode ser considerado um terceiro elemento favorável a Sarkozy, em uma sequência de eventos que certamente fará o “maio de 2011” um mês inesquecível para o marido de Carla Bruni: é La Conquête, exibido como parte do lote de títulos hors concours. O filme de Xavier Durringer dramatiza os momentos que antecederam a vitória de Nicolas Sarkozy nas eleições que o conduziram ao Palácio do Eliseu.
“Não se trata de um filme feito com objetivos políticos”, defendeu-se Durringer, durante a coletiva de imprensa que se seguiu à projeção de La Conquête. “O presidente é mostrado como um ser humano. Somos o conjunto de diversas facetas e temos que levar em conta esta complexidade. Não sou intimo ou muito próximo de Nicolas Sarkozy. Eu me vi confrontado com um personagem como Hamlet ou Harpagon”.
Como se sabe no Brasil, nem sempre são previsíveis os efeitos que têm entre si eleições e cinema. O filme Lula, o filho do Brasil, lançado em ano eleitoral – janeiro de 2010, revelou-se um fiasco de público e crítica. O título, dirigido por Fábio Barreto, amargou ainda outro episódio indigesto: a escolha do filme para representar o Brasil na disputa para a indicação ao melhor filme de língua estrangeira no Oscar de 2010 indignou parte do público e dos profissionais ligados ao cinema – levantando dúvidas sobre os méritos cinematográficos da história do presidente.
Cinema e política – Ao longo dos últimos anos, o Festival de Cannes abriu espaço em sua programação oficial para filmes com motivações políticas. Esta plataforma permite dar mais visibilidade a títulos que dificilmente conseguiriam espaço digno na mídia, como o documentário The Big Fix, da americana Rebecca Tickell, que investiga o derramamento de petróleo no Golfo do México, ano passado, um dos títulos mais controversos da programação do 64º Festival de Cannes.
O filme, que ganhou o apoio dos atores Peter Fonda e Tim Robbins, aqui funcionando como produtor executivo, denuncia sequelas ainda visíveis do desastre e a manipulação de seus desdobramentos por parte do governo americano.
“Nós visitamos os lugares atingidos para procurar as verdadeiras causas do derramamento e a dimensão do impacto do acidente na região”, contou Rebecca, que ainda carrega no corpo as marcas do contato prolongado com o óleo e os dispersantes químicos usados na operação de recuperação da área.
A quarta-feira de Cannes foi, até aqui, o dia de temperatura mais alta, no termômetro político. Além de The Big Fix e La Conquête, a programação deu de presente às manchetes do mundo todo a infeliz brincadeira feita pelo diretor dinamarquês Lars Von Trier, no lançamento de seu Melancolia. Depois de dizer, ironicamente, que seria simpatizante de Hitler, o cineasta teve de pedir desculpas e assumir o óbvio, para quem guarda algum bom senso: não se brinca com o sofrimento alheio, nem é possível manter total controle sobre frases tão controversas diante de jornalistas de todo o planeta.