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24 maio 2011

Palestinos dizem que discurso do premiê israelense é obstáculo para paz

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina (Fethi Belaid / AFP)

O discurso do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, realizado nesta terça-feira nos Estados Unidos, colocou "mais obstáculos" para que se alcance a paz entre israelenses e palestinos, diz Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas. "Não há nada de novo no discurso de Netanyahu, a não ser que acrescenta obstáculos no caminho de uma paz verdadeira, séria, duradoura e global", disse Rudeina. O porta-voz reafirmou que a paz exige referências internacionais como as fronteiras de 1967 como base das negociações. "Os palestinos não aceitam nenhuma presença israelense no Jordão", afirmou.

Em seu pronunciamento ao Congresso americano, na manhã desta terça-feira, Netanyahu disse que, apesar de estar disposto a sacrifícios pela paz, não cederá a um acordo que siga as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967. Essas fronteiras incluíam, como parte do estado palestino, os territórios ocupados de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. "Israel será generoso quanto ao tamanho do estado palestino, mas somos firmes quanto ao posicionamento da fronteira", enfatizou o primeiro-ministro.

Já o negociador palestino Mohammed Shtayeh disse que os palestinos não têm escolha a não ser levar seu caso à Organização das Nações Unidas (ONU) após o discurso do primeiro-ministro de Israel. "Isso é o que poderemos fazer na Assembleia Geral da ONU, em setembro", afirmou à agência de notícias France Presse, referindo-se aos planos de buscar o reconhecimento da ONU para o Estado palestino em setembro.

O antigo tema dos estados israelense e palestino voltou recentemente à tona, impulsionado pela visita de Netanyahu aos EUA e pelo acordo de paz entre as facções palestinas Fatah e Hamas. Em quatro meses, os palestinos devem pedir à Organização das Nações Unidas (ONU) que aceite  um estado palestino nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.

(Com agências Reuters e France-Presse)

22 maio 2011

Obama defende estado palestino em discurso em Washington

Barack Obama em Washington

Barack Obama em Washington, no último dia 12 (Chip Somodevilla/Getty Images)

O presidente americano Barack Obama voltou a defender firmemente neste domingo a ideia de que haja um estado palestino, além de um israelense, em discurso realizado no Comitê de Assuntos Públicos de Estados Unidos-Israel (Aipac, na sigla em inglês), em Washington. Obama havia se pronunciado na última quinta-feira, pela primeira vez, em favor da proposta, rejeitada com veemência pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O presidente americano disse ter sido "mal compreendido". 

Leia também: Obama afirma que Estados Unidos vão manter pressão sobre o Irã

A posição de Obama, explicada por ele mesmo, é de que as próprias partes, israelenses e palestinos, negociem uma fronteira diferente da que existia em 4 de junho de 1967, levando em consideração as "novas realidades demográficas no local e as necessidades das duas partes". Além disso, o presidente americano conclamou o movimento Hamas, reconciliado com o Fatah do presidente palestino, Mahmud Abbas, a "reconhecer o direito de Israel existir" e a "rejeitar a violência e a aderir a todos os acordos existentes".Essas são as condições enunciadas pelo Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) para que o Hamas possa participar das negociações de paz. 

Obama ressaltou neste domingo que sua proposta sobre as fronteiras de 1967 não tem "nada de particularmente original", e que a ideia é discutida há muito tempo pelas partes.O outro objetivo do discurso na Aipac era tranquilizar Israel. No país judeu, os detalhes sobre as mudanças nos territórios e sobre o Hamas foram consideradas ausentes do discurso de Obama na quinta-feira. Já neste domingo, o presidente enviou aos cerca de 10.000 participantes do congresso os sinais esperados, confirmando o compromisso "inabalável" da América com a segurança do estado hebreu. "Que Israel esteja forte e em segurança é do interesse nacional da segurança dos Estados Unidos", disse o presidente, assegurando que "compreendia o temor dos israelenses por sua existência" como nação.

Essas afirmações parecem responder diretamente às críticas sem precedentes de "Bibi" Netanyahu na sexta-feira, quando ele alertou no Salão Oval para as "ilusões" de alguns sobre a situação regional. Em uma primeira reação, Netanyahu, que deve discursar na segunda-feira no Aipac, disse "apreciar" o discurso de Obama. 

O presidente americano também lembrou que a ajuda financeira americana à defesa de Israel havia atingido durante o seu governo "níveis recordes". Ele desejou a manutenção, com a ajuda dos Estados Unidos, da "superioridade" da força militar israelense sobre seus adversários potenciais na região. Foi em nome desses vínculos excepcionalmente estreitos que Obama reivindicou a franqueza com Israel. "Sei que o mais fácil, principalmente para um presidente preparando sua reeleição, é evitar qualquer controvérsia", disse, mas "a situação atual no Oriente Médio não permite a omissão."

Lembrando sua oposição à tentativa palestina de um reconhecimento de seu estado na ONU em setembro, Obama, entretanto, ressaltou que os palestinos "identificam a impaciência suscitada pelo processo de paz - ou a ausência deste". Esta impaciência aumenta, insistiu, não apenas no mundo árabe, mas (também) na América Latina, na Europa e na Ásia.

(Com agência France-Presse)