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17 maio 2011

Compra de carros de luxo para vereadores está cancelada

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

Apesar de optarem pelo cancelamento da compra, a maioria não aprendeu a lição: dos presentes à sessão, 21 defenderam a aquisição do carro, enquanto 20 foram contra

No dia em que se reuniram para decidir o destino dos 3,5 milhões de reais empregados na compra de 51 automóveis de luxo, os vereadores do Rio de Janeiro se viram mais uma vez na contramão da opinião pública. Os políticos receberam, nesta terça-feira, a cópia de uma citação da ação popular movida pelo advogado Victor Travancas, que contesta o reajuste salarial dos vereadores de 9.288 reais para 15.031 reais, aprovado pelos próprios legisladores.

O encontro para definir o que seria feito com a compra de uma frota de automóveis modelo Jetta, cada um estimado em quase 70 mil reais, reuniu 41 dos 49 vereadores – o total da casa é de 51, mas dois estão presos. Apesar de optarem pelo cancelamento da compra, a maioria não aprendeu a lição. Dos presentes à sessão, 21 defenderam a aquisição do carro, enquanto 20 foram contra. Nesse caso, a votação foi simbólica, e o que pesou foi a decisão da Mesa Diretora – mais sensível e mais exposta à avassaladora repercussão negativa do gasto com carros de luxo.

Dos cinco integrantes da mesa, apenas um, Leonel Brizola Neto, havia se posicionado contra os novos carros. Nesta terça-feira, outros dois membros, Patrícia Amorim, que é também presidente do Flamengo, e Carlo Caiado mudaram os seus votos e também se disseram contrários. O presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe, manteve o seu voto favorável à aquisição, mas não quis se pronunciar sobre o resultado do encontro.

Em março, Felippe se reuniu com 43 vereadores e ficou acertado que os carros seriam comprados. Na ocasião, apenas cinco deles se manifestaram contra a medida. Com a repercussão do caso, outros mudaram de opinião. Na reunião de hoje não ficou esclarecido o porquê da compra de 51 automóveis, se desde o início alguns vereadores abriram mão do beneficio e dois não poderiam usufruir do novo benefício por uma particularidade: estão na cadeia.

A vereadora Teresa Bergher pediu à Mesa Diretora, na semana passada, o informe sobre a quantidade de veículos de que a Câmara dispõe. A resposta foi de que há 26 carros, sendo 10 Kombi - todos para atender às comissões permanentes, à presidência e à primeira secretaria, que cuida da parte administrativa. Aventou-se a possibilidade de trocar a nova frota por vans da mesma montadora, que é a Volkswagen. Com a informação de que já há veículos disponíveis, não faria sentido reverter a verba já gasta em mais veículos. Segundo vereadores que estiveram presentes na reunião de hoje, Felippe já sinalizou que a Volkswagen não deve se opor à devolução do dinheiro.

Poucos dos que queriam ficar com o carro se manifestaram. O vereador S. Ferraz foi a favor da aquisição do Jetta – modelo definido pelos próprios vereadores, sem licitação. A justificativa de Ferraz: “Todos têm carros. Por que o vereador não pode? Responda qual é o carro da Assembleia Legislativa do Rio”. Os automóveis da Alerj são o modelo Bora.

Para a vereadora Andrea Gouvêa Vieira, uma das cinco que, desde o início, não quis o automóvel, a decisão foi um bom sinal. “Isso fortalece o Legislativo. A instituição legislativa manteve-se acima dos interesses individuais”, afirmou.

Aumento dos salários – A ação do advogado Victor Travancas visa à devolução do reajuste salarial dos vereadores. Segundo ele, o aumento viola o princípio da legalidade porque a constituição e a lei orgânica do município não permitem a elevação do salário para os vereadores na mesma legislatura. Os novos vencimentos foram pagos em abril, com retroatividade de março e fevereiro.

O procurador da Câmara Municipal, Sérgio Antônio, disse que o aumento é legal. “A procuradoria foi consultada em fevereiro e disse que era legal. Ajuizar uma ação é direito de qualquer um”, afirmou.

Andrea Gouvêa Vieira, Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro e Teresa Bergher não quiseram o aumento e escreveram a decisão em oficio. São os mesmos que negaram, de pronto, o recebimento do carro. “É imoral aumentar em mais de 60% o salário do vereador em um ano. Acho isso incompatível com as pessoas que vivem na cidade. Se não se trata de uma questão legal, é moral. Com esse reajuste, inclusive, dava para pagar um Jetta em dois anos, do boldo do próprio vereador”, disse Andrea.

13 maio 2011

Presidente da Câmara Municipal do Rio susta aquisição de carros oficiais

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

A reação da população do Rio, contrária à compra de uma frota de carros de luxo para os vereadores da capital fluminense, levou o presidente da casa a sustar a aquisição. Cada automóvel modelo Jetta, um sedã de luxo da Volkswagen, custaria aos cofres públicos quase 70 mil reais. A Câmara, que já havia desembolsado 2,3 milhões de reais com a compra direto da montadora, estuda uma forma de atender melhor aos interesses dos vereadores e da população.

O anúncio foi feito durante entrevista coletiva, nesta sexta-feira, do presidente do legislativo municipal, Jorge Felippe, do PMDB. Como os carros ainda não foram emplacados, será decidido pelo ressarcimento da compra ou pela troca dos automóveis por veículos maiores, como microônibus ou vans, que seriam utilizados pelas comissões permanentes ou quando o projeto câmara itinerante for lançado.

Na próxima terça-feira, Jorge Felippe fará uma reunião com todos os vereadores para definir o destino dessa verba. Na coletiva, o presidente da Câmara criticou a postura de seus colegas. Em março, na reunião com 43 vereadores, ficou acertado que os carros seriam comprados. Na ocasião, cinco deles se manifestaram contra a medida.

Com a repercussão negativa da compra de carros com bancos de couro, sensores de estacionamento, câmbio automático, sistema de som sofisticado e itens aos quais a maioria da população não tem acesso, triplicou a lista dos “contra”.