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28 maio 2011

Batizar carro requer mais do que criatividade

RICARDO RIBEIRO
COLABORA??O PARA A FOLHA

Lan?ado nos EUA e na Europa, o hatch Rio deve chegar ao Brasil em novembro. Segundo a Kia, o nome do modelo ? uma refer?ncia ao Rio de Janeiro porque o carro tem uma condu??o divertida e din?mica. J? a chinesa JAC vai adotar as altera??es feitas sob exig?ncia do consumidor brasileiro. Na China, as vers?es dos modelos ser?o vendidas com o nome Samba.

Conforme aumenta o n?mero de modelos de carros, fica t?o dif?cil batiz?-los que ?s vezes a criatividade leva a palavras para l? de originais.

Com mesmo nome, nova gera??o do Picanto chega em setembroPicanto mudou visual, mas n?o o nome, e chega em setembro

"Em geral s?o escolhidos nomes que reflitam a imagem do ve?culo ou o que se quer transmitir com ele", explica M?rio Furtado, gerente de design da Nissan, de onde sa?ram Tiida e Livina.

Nem sempre a mensagem causa boa impress?o --vide a estranheza gerada por nomes como Picanto, Chana e Hoggar (confira, na lista abaixo, o que significam).

Com carros globais, as montadoras procuram nomes de carros que possam usar em v?rios pa?ses.

"As marcas pesquisam se o nome n?o tem conota??o negativa em algum pa?s e cada mercado faz sua adapta??o", explica Alex Periscinoto, ex-publicit?rio da Volkswagen e especialista em propaganda de carros.

Peugeot escolheu o dif?cil Hoggar para picapePeugeot escolheu o dif?cil nome Hoggar para sua picape

Alguns fabricantes recorrem a pesquisas com clientes ou at? mesmo a programas de computador que selecionam letras aleatoriamente, m?todo usado para batizar o Jetta e o Sandero.

TRADU??ES PERIGOSAS

A Nissan resolveu rebatizar de March o hatch que trar? ao Brasil ainda neste ano. Na Europa, ele chama Micra.

"O nome ? bom l?, onde buscam um compacto. J? o brasileiro compra porque ? o que ele pode pagar, mas n?o quer a imagem de 'micro'", avalia Furtado.

J? a Mitsubishi vende o Pajero como Montero nos mercados onde se fala espanhol, porque "pajero", nesse idioma, define uma pessoa que curte o onanismo.

Antes de batizar um modelo, especialistas em marketing recomendam evitar nomes compostos e buscar express?o f?cil de memorizar.

Compacto, Micra virou March para n?o pegar fama de microCompacto, Micra virou March para n?o pegar fama de micro

Para o professor Valdner Papa, da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), os nomes influenciam diretamente na venda.

"Antes eles mudavam a cada novo produto, mas agora s?o mantidos, o que vincula uma imagem positiva na cabe?a do consumidor", avalia Papa. "J? os nomes novos t?m a defini??o ligada ao design e ao perfil de consumidor que se pretende atingir."

Gol e Uno mantiveram os nomes mesmo ap?s mudan?as dr?sticas de visual.

Marcas "premium", como Audi, BMW e Mercedes, n?o se comprometem: nomeiam modelos com n?meros. "Consagradas, investem no nome da marca", diz Papa.

Confira o significado de alguns nomes, de acordo com informa??es dos fabricantes:

Kia Picanto
Refer?ncia a "piquant" (picante, em franc?s), na tentativa de transmitir ousadia.

Renault Logan
Associa??o a "log in" e "log on" (acesso a sistemas, em ingl?s)

Nissan Livina
Mistura dos termos "live" (viver, em ingl?s) e "living" (vivendo)

Ford Ka
Na mitologia eg?pcia, ? nome dado ao esp?rito que forma os seres humanos e gera a for?a vital das pessoas

Volkswagen Amarok
Significa "lobo" na l?ngua dos esquim?s

Subaru Impreza
Derivado de "impresa" (proeza, em italiano)

Renault Kangoo
Uma refer?ncia ao canguru e ? versatilidade da sua bolsa

Hyundai Azera
Adapta??o de "azzurro" (azul, em italiano), cor oficial da Hyundai

Citro?n Picasso
A homenagem ao pintor espanhol que resultou em refer?ncias indesejadas

Volkswagen Bora
Vento que sopra no sul do mar Adri?tico

Renault Sandero e Volkswagen Jetta
Nomes gerados por computador

Nissan Tiida
Quer dizer "sol nascente" no dialeto falado em Okinawa, no Jap?o

Peugeot Hoggar
Cadeia de montanhas no deserto do Saara, para associar robustez

Volkswagen Passat
Vento que cruza a Europa de Leste para Oeste.

Chana
? uma marca de ve?culos utilit?rios. Segundo a montadora, ? para lembrar o pa?s de origem, a China

Fiat Palio
Nome de uma corrida de cavalos realizada na Idade M?dia durante as festas populares

Renault Clio
Musa da hist?ria e da criatividade

Chevrolet Corsa
Corrida em italiano

Volkswagen Eos
Deusa grega do amanhecer

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20 maio 2011

Investimento da Petrobras requer debate profundo, diz Mantega

Luciano Coutinho, do BNDES, havia recomendado meta mais realista ao investimento da Petrobras

Luciano Coutinho, do BNDES, havia recomendado meta mais realista ao investimento da Petrobras (Marcelo Sayão/EFE)

Não há uma data limite para que o conselho de administração da Petrobras aprove a mais recente revisão do plano de investimento de cinco anos da companhia, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira. "Não há um deadline", afirmou, em entrevista concedida ao Wall Street Journal e à Dow Jones Newswire. "Tudo tem seu próprio tempo. Algumas vezes há pessoas que querem politizar a discussão, a qual é totalmente técnica", acrescentou Mantega. O ministro declarou que as estimativas feitas e divulgadas pela imprensa sobre o escopo das mudanças deste ano são erradas e falsas.

O novo plano de investimento de cinco anos cobre o período de 2011 a 2015, atualizando os 224 bilhões de dólares que foram aprovados no ano passado para o intervalo 2010-14. A expectativa dos analistas é que o valor passasse a 268 bilhões de reais, mas uma determinação do Palácio do Planalto abortou o ajuste. Nesta terça-feira, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, reconheceu que o programa teria de ser reduzido por recomendação do principal acionista, o governo federal. No dia seguinte, o presidente do BNDES – que, por meio do BNDESPar, é acionista da empresa –, Luciano Coutinho, cobrou uma meta mais realista da Petrobras, sob a alegação de que os planos atuais seriam muito ambiciosos e difíceis de serem colocados em prática. Na ocasião, ele chegou a afirmar que o pedido teria vindo justamente do Ministério da Fazenda.

Nesta sexta-feira, contudo, Mantega refutou a tese de que o governo federal teria solicitado uma redução do plano de investimento. "O número não vai cair em relação ao ano passado", afirmou. "Como é o maior investimento de portfólio do planeta, merece um profundo debate", acrescentou. Há cerca de 680 projetos no portfólio da estatal e, segundo Mantega, normalmente é preciso que haja duas ou três reuniões para se chegar a uma conclusão sobre o plano de investimento.

(com Agência Estado)