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16 maio 2011

Marido de Marina Silva nega envolvimento em desvios

O marido  da ex-senadora Marina Silva, Fábio Vaz de Lima, negou nesta segunda-feira ter participado de um esquema de desvios de recursos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) no Maranhão. Ele aparece como um dos réus em um processo da Justiça Federal que apura o sumiço de 44 milhões de reais, liberados pela superintendência para financiar um empreendimento que nunca saiu do papel.

Fábio diz que seu nome consta no processo por um engano. Ele alega que estava na reunião do conselho da Sudam que aprovou a concessão do financiamento para a obra. Mas argumenta que não era nem mesmo integrante da comissão – na época, Fábio era assessor do governo do Acre e teria participado da audiência apenas como observador. 

O processo, aberto em 2001, investiga o destino dos recursos que deveriam ser aplicados na construção de uma fábrica de autopeças, mas não foram usados na obra. A atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o marido dela,  Jorge Murad, também estariam envolvidos no esquema. “Eu não era titular do conselho que votou, eu acredito que o Ministério vai poder esclarecer todos esses fatos”, afirmou Fábio Vaz de Lima, ao lado de Marina, ao deixar um encontro com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em Brasília.

Fábio Vaz de Lima afirmou ainda que já estava desligado do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) em 2004, quando uma ONG filiada à entidade recebeu uma doação de mogno do Ibama, numa transação que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), teve várias irregularidades. O caso foi citado no plenário da Câmara dos Deputados na semana passada, quando Aldo Rebelo (PC do B-SP), acusou o marido de Marina Silva de envolvimento com o contrabando de madeira.

Investigação - A ex-senadora Marina Silva entregou na noite desta segunda-feira a Roberto Gurgel um pedido de investigação sobre ela e sobre o marido. A atitude de Marina ocorre depois que denúncias contra Fábio terem ressurgido, na reta final da votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados. 

“Diante da grande quantidade de matérias jornalísticas referindo-se a denúncias que são caluniosas a respeito da minha gestão no Ministério do Meio Ambiente e do suposto envolvimento meu marido nessas denúncias, nós decidimos vir ao Ministério Público para que sejam investigadas as denúncias que foram feitas pelo deputado Aldo Rebelo”, disse Marina. 

A ex-senadora disse ainda que não descarta processar Aldo Rebelo pelas declarações. “Não posso deixar a minha gestão, a minha honra e a do meu marido à mercê de calúnias, de quem faz difamações de forma leviana e injusta”, afirmou.

Marina Silva vai pedir ao MPF que investigue acusações contra o marido

A ex-ministra e ex-candidata à Presidência Marina Silva (PV-AC) divulgou um vídeo em seu site pessoal afirmando que vai pedir ao Ministério Público Federal que apure as acusações contra seu marido, Fábio Vaz de Lima. Ele é suspeito de envolvimento na doação de madeira clandestina apreendida na Amazônia a uma organização não-governamental. O caso teria ocorrido quando Marina era ministra do Meio Ambiente (2003-2008). 

A ex-ministra comenta que, em encontro com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, nesta segunda-feira, entregará a representação solicitando a abertura de investigação das denúncias feitas contra o casal. “É fundamental que cada denúncia possa ser investigada para ser comprovada a inocência ou a culpa”, destacou. Na época, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a apontar irregularidades na transferência de madeira, mas Marina afirma que o Ministério Público Federal acompanhou o processo e não encontrou qualquer problema.

O tema veio à tona no plenário da Câmara dos Deputados, durante a tentativa de votação do Código Florestal, na última semana. O comentário feito por Marina no Twitter de que o relator Aldo Rebelo (PC do B-SP) teria inserido “pegadinhas” no projeto causou a ira do parlamentar. Irritado, ele subiu no púlpito e disse que, quando era líder do governo, atendeu a um pedido da ex-ministra para convencer os demais deputados a não convocarem seu marido para depor sobre o possível crime ambiental. 

Marina considerou as denúncias levianas e vazias e disse estar divulgando documentos aos poucos em seu site para comprovar sua inocência e a de seu marido. “As pessoas que se sentiram contrariadas em seus negócios espúrios, contrários ao interesse público, começaram uma campanha de difamação produzindo dossiês apócrifos distribuídos nos corredores do Congresso e a jornalistas”, relata. “Não acreditava que o deputado fosse capaz de fazer tamanha leviandade e ele sabe que essas acusações não são verdadeiras.”