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16 maio 2011

EUA acusam Síria de incitar conflitos nas fronteiras de Israel

Jay Carney

Jay Carney:'Israel tem o direito de impedir que pessoas não autorizadas cruzem as suas fronteiras' (Saul Loeb/AFP)

O governo americano acusou, nesta segunda-feira, a Síria de incitar os confrontos entre manifestantes palestinos e forças israelenses nas fronteiras de Israel com seus vizinhos árabes, na véspera, deixando 16 mortos e 112 feridos. Do avião Air Force One, onde acompanhava o presidente Barack Obama em uma visita a Memphis, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, declarou que o governo dos Estados Unidos lamenta a perda de vidas, mas destacou que Israel tem direito de se defender.

“Israel tem o direito de impedir que pessoas não autorizadas cruzem suas fronteiras", disse Carney. A declaração se referia às manifestações palestinas para marcar o Dia da Nakba (Catástrofe), como os árabes denominam a fundação do estado de Israel em 1948. 

O porta-voz criticou duramente o governo sírio, o qual acusou de incitar os palestinos à violência para distrair o mundo da dura repressão que realiza contra as manifestações vividas em seu próprio território. Dezenas de civis pró-democracia foram assassinados pelo regime nas últimas semanas na Síria.

"Nós recriminamos  firmemente o envolvimento do governo sírio na incitação aos protestos deste domingo nas Colinas do Golã", declarou Carney. "Essa conduta é inaceitável e desvia a atenção da repressão do governo da Síria contra os manifestantes em seu próprio país", condenou. O governo israelense também fará suas acusações e afirmou que apresentará uma reclamação formal contra Síria e Líbano ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outro lado - Já o coordenador especial da ONU para o Líbano, Michael Williams, condenou nesta segunda-feira o "uso desproporcional da força" por Israel contra manifestantes na fronteira com o Líbano. "Estou comovido com o número de mortos e o uso desproporcional da força por parte do Exército israelense contra manifestantes desarmados. É algo que condeno", afirmou Williams após se reunir com o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati.

Williams, que manifestou condolências às famílias das vítimas, disse que seu encontro com Mikati esteve centrado no derramamento de sangue na "Linha Azul", a fronteira entre ambos os países estabelecida pela ONU, assim como na evolução da situação no norte do país e na região. 

(Com agência EFE)

09 maio 2011

Grupos de direitos humanos acusam Síria de usar estádios de futebol como prisões

Televisão estatal da Síria mostra um protesto de sábado, em uma cidade não definida

Televisão estatal da Síria mostra um protesto de sábado, em uma cidade não definida (AFP)

As forças de segurança sírias estão usando estádios de futebol como presídios improvisados em pelo menos duas cidades do país depois de atacarem casas e prenderem centenas de pessoas, denunciaram duas organizações de direitos humanos. A informação é da rede americana CNN, que não especificou os nomes das ONGs. Mais de 400 pessoas foram detidas, desde sábado, somente na cidade costeira de Banias, um dos locais onde o estádio foi convertido em prisão. 

A violência na Síria tem se tornado rotina. Nesta segunda-feira, foram ouvidos tiroteios na capital Damasco, onde três pessoas morreram e 200 foram presas. No domingo, 10 pessoas foram assassinadas quando homens armados atacaram um ônibus na província de Homs, segundo informações da rede estatal, que chamou os atiradores de “grupo terrrorista armado”. Em Banias, no noroeste do país, seis manifestantes morreram no sábado. Entre eles, quatro mulheres que exigiam a liberdade de dissidentes presos.

Organizações de direitos humanos criticaram as prisões e a violência, pedindo ao governo sírio a criação de uma comissão independente com o objetivo de investigar os crimes. “Nós condenamos o uso contínuo de violência e força excessiva das autoridades sírias contra os cidadãos que protestam pacificamente”, diz um comunicado de seis ONGs publicado no site da Organização Nacional de Direitos Humanos da Síria nesta segunda-feira.

Tanques e outros veículos armados estão espalhados pelas ruas e nas redondezas de Banias, onde foram cortadas as linhas de telefone, a água e a eletricidade. Em Deraa, cidade onde os protestos começaram, os moradores só podem sair de casa durante algumas horas, até o toque de recolher,  para comprar mantimentos. Na sexta-feira, organizações de direitos humanos informaram que ao menos 565 civis morreram durante a repressão do governo aos protestos, que tiveram início em meados do mês passado.