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27 maio 2011

Documentário que estreia em junho refaz a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas

Integrantes do conjunto Mamonas Assassinas - 1995<br />

Integrantes do conjunto Mamonas Assassinas - 1995 (Ricardo Correa)

“Não era o momento do humor, e não era o momento do rock. Era um momento de transição do vinil para o CD. Ninguém comprava nem vinil nem CD. E ainda havia a pirataria das fitas cassetes”, afirma Rick Bonadio, produtor dos Mamonas

No dia 2 de março de 1996, a colisão de um jatinho contra a Serra da Canteira interrompeu um conto de fadas moderno e impôs o luto a milhões de crianças e jovens brasileiros. Era o fim da trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas, um grupo de cinco rapazes que precisou de apenas sete meses para conquistar o país graças a um misto de irreverência, espontaneidade e falta de pudor. Quinze anos depois, o documentário “Mamonas Pra Sempre”, que estreia nos cinemas no dia 10 de junho, leva os fãs a reviverem a contagiante alegria da banda, na mesma medida em que resgata a dor da perda de um ente querido.

É surpreendente a diversidade do acervo de imagens no documentário, se for considerado o breve período de vida do grupo. Apesar de curta, a carreira dos Mamonas Assassinas foi registrada à exaustão, seja através de lentes amadoras ou dos programas de auditório que pegavam carona no sucesso do grupo para alavancar o ibope nas tardes de domingo. Essa exposição impulsionou ainda mais os rapazes de Guarulhos, que chegavam a fazer mais de um show por dia.

A pesada rotina de apresentações era o que menos incomodava aquela garotada. Por outro lado, não se pode dizer o mesmo sobre a distância da família e dos amigos. Eis que os meninos que cantavam sobre uma tal Brasília amarela descobriram os benefícios do jatinho, um artigo de luxo destinado a ricos e famosos. Agora, era possível tocar em qualquer canto do país e voltar para casa no mesmo dia. E assim foi até o fim.

A linha condutora do documentário é composta por depoimentos de familiares, amigos, produtores e empresários do grupo. O 'protagonista' dessa narrativa é o produtor Rick Bonadio, que acompanhou os rapazes desde os tempos de “Utopia” – a banda que deu origem aos Mamonas. Ele lembra que a banda explodiu a despeito de qualquer tendência mercadológica, num momento de crise da indústria fonográfica.

“Não era o momento do humor, e não era o momento do rock. Era um momento de transição do vinil para o CD. Ninguém comprava nem vinil nem CD. E ainda havia a pirataria das fitas cassetes”, afirma Bonadio.

O som era pesado, já que a leveza ficava por conta das letras e das performances bem humoradas. Disfarçado sob uma roupagem despretensiosa, o repertório remetia a temas bastante relevantes, como problemas sociais (Cabeça de Bagre II) e o preconceito a homossexuais (Robocop Gay) e nordestinos (Chopis Centis).

O fato é que, com mercado em crise ou não, os Mamonas Assassinas venderam mais de 2,5 milhões de cópias do seu único disco, entraram para a história da música brasileira e se preparavam para fazer piadas além-mar. O acidente que precipitou o fim da banda aconteceu pouco antes do embarque para Portugal, privando assim o mundo de conhecer um dos maiores fenômenos da música brasileira.

21 maio 2011

Vasco bate Ceará de virada na estreia do Brasileirão

O Vasco estreou no Campeonato Brasileiro com uma vitória de virada por 3 a 1 em cima do Ceará, neste sábado à noite, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. Os dois clubes jogaram com times mistos, pois pouparam jogadores para a decisão de vagas na final da Copa do Brasil.

No confronto, destaque para os dois gols de Bernardo. Jeferson completou o triunfo vascaíno. Antes disso, o Ceará abriu o placar com Cléber. Todos os gols foram marcados no segundo tempo.

Os dois times começaram a partida se estudando. Nos 40 minutos iniciais, houve poucas chances reais de marcar. O Ceará partia com a vontade de Júnior Pipoca, mas esbarrava na incompetência dos armadores do alvinegro cearense. Já o Vasco apostava nos contra-ataques com Enrico e Elton, mas todas as tentativas eram interceptadas pelo zagueiro Cléber.

Aos 30 minutos, o zagueiro vascaíno Douglas saiu machucado para entrada do argentino Chaparro. Nos minutos finais do primeiro tempo, a equipe cearense apertou com boas tentativas de Pipoca, Sinho e Ernandes, que foram defendidas por Fernando Prass.

Logo aos três minutos do segundo tempo, Júnior Pipoca perdeu o chamado gol feito. O Vasco, que voltou com o titular Ramon no posto de Márcio Careca, se retrancava cada vez mais. Aos 12 minutos, veio a melhor chance até então numa jogada de Diego Macedo, que por pouco não terminou em gol.

Aos 14, Mancini resolveu colocar o titular Osvaldo para tentar dar a vitória ao Ceará. Ricardo Gomes queimou a última substituição aos 16. Saiu Enrico entrou Max. Aos 20 minutos, o zagueiro Cléber ajudou o ataque e fez 1 a 0, ao marcar de canela. A bola ainda bateu na trave e no goleiro Fernando Prass antes entrar mansamente na meta.

Após o gol, o Vasco passou a pressionar em busca do empate. Adilson, bastante exigido, ia defendendo todas. Para segurar mais o time carioca, Mancini tirou Thiago Humberto e colocou o descansado titular Geraldo. O Vasco manteve a marcha em busca do gol de empate. Adilson, aos 29, fez grande defesa.

Aos 32, porém, de tanto tentar, Elton passou para Bernardo empatar para o Vasco, chutando sem marcação da entrada da área. E Bernardo, novamente num rebote, chutou de fora da área e virou para 2 a 1.

Com o placar revertido, Mancini foi para o tudo ou nada. Sacou Murilo e colocou o titular Marcelo Nicácio. Com três atacantes (Júnior Pipoca, Osvaldo e Nicácio), o Ceará buscou o gol desordenadamente. O Vasco chegava com mais perigo em busca do terceiro e marcou com Jeferson aos 43 minutos, fechando o placar.

No próximo sábado, pela segunda rodada do Brasileirão, o Ceará enfrentará o Internacional, em Porto Alegre. O Vasco receberá o América, no domingo, em São Januário.

Ficha técnica:

Ceará 1 X 3 Vasco
Ceará - Adilson; Diego Macedo, Cléber, Diego Sacomam e Ernandes; Heleno, Eusébio, Murilo (Marcelo Nicácio) e Thiago Humberto (Geraldo); Júnior Pipoca e Sinho (Osvaldo). Técnico: Vágner Mancini.
Vasco - Fernando Prass; Fágner, Jumar, Douglas (Chaparro) e Márcio Careca (Ramon); Diego Rosa, Eduardo Costa, Jeferson e Bernardo; Enrico (Max) e Elton. Técnico: Ricardo Gomes.
Árbitro: Jailson Freitas (BA).
Gols: Cléber, aos 20, Bernardo, aos 32 e 34, e Jeferson, aos 43 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Enrico, Jeferson e Júnior Pipoca.
Renda e público: não disponíveis.
Local: Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza (CE).

(Com Agência Estado)

Ronaldinho brilha e Flamengo goleia Avaí na estreia

Muito se espera de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo. Ele tem oscilado desde sua chegada à Gávea, mas neste sábado brilhou em Macaé e o Flamengo goleou o time misto do Avaí por 4 a 0, na abertura do Campeonato Brasileiro. Ronaldinho teve participação em todos os tentos rubro-negros e ainda marcou o seu em bonito lance. Fora as canetas, os toques de calcanhar e os passes sem olhar.

Thiago Neves também teve boa partida, ao lado de Bottinelli. Ambos deixaram seu gol e o time de Vanderlei Luxemburgo mostrou boas credenciais, ainda que com certos sustos defensivos contra uma equipe fragilizada pela presença de muitos reservas.

"Melhor reestreia no Brasileiro impossível. Voltar a fazer gol, dar passes depois de muito tempo. Agora é pensar no título, que eu ainda não tenho no meu currículo", vibrou Ronaldinho, ao fim do jogo.

O Flamengo imprimiu ritmo forte desde os instantes iniciais da partida. Quase abriu o placar logo aos 17 segundos. Egídio roubou a bola na intermediária e iniciou a jogada que terminou com a conclusão de Thiago Neves por cima do gol de Renan.

O Flamengo dominava e tocava bem a bola, com boa movimentação de Bottinelli, Ronaldinho e Thiago Neves. Aos nove, Gaúcho achou Egídio na área, que perdeu grande chance. Pouco depois Ronaldinho passou para Galhardo, que cruzou rasteiro e forte. A zaga rebateu e Bottinelli aproveitou a sobra para abrir o placar, aos 25.

O mistão avaiano pouco avançava, mas teve duas boas oportunidades. A mais clara com Rafael Coelho, que perdeu gol incrível cara a cara com o goleiro rubro-negro. O técnico Silas alguns titulares para o segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil, contra o Vasco, na quarta-feira.

Depois de um início cauteloso, os cariocas decidiram a parada. Aos 18, Ronaldinho foi lançado e avançou com liberdade até a área, quando encontrou o espaço entre os marcadores e tocou com categoria e efeito no canto esquerdo de Renan. Belo gol.

O terceiro veio pouco depois, aos 25. Mais uma vez, Ronaldinho iniciou o lance, que contou com participação de Wanderley antes da finalização de Thiago Neves: 3 a 0. Ainda houve tempo para Diego Maurício, recém-entrado em campo, tabelar com Ronaldinho e tocar na saída de Renan.

Embalado pela goleada, o Flamengo volta a campo no próximo domingo para duelar com o Bahia, no Pituaçu. O Avaí joga já nesta quarta, pela Copa do Brasil. Pelo Brasileirão, entra em campo no sábado para encarar o Atlético Mineiro, na Ressacada, em Florianópolis.

Ficha técnica:

Flamengo 4 x 0 Avaí
Flamengo - Felipe; Rafael Galhardo, Welinton, David e Egídio; Willians (Fernando), Renato, Bottinelli (Negueba) e Thiago Neves; Ronaldinho Gaúcho e Wanderley (Diego Maurício). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Avaí - Renan; Cássio, Bruno Silva, Gustavo Bastos (Gustavo) e Felipe (Robinho); Acleisson, Fabiano, Estrada e Romano; Rafael Coelho e Fábio Santos (Maurício Alves). Técnico: Silas.
Gols - Bottinelli, aos 25 minutos do primeiro tempo. Ronaldinho Gaúcho, aos 18, Thiago Neves, aos 25, e Diego Maurício, aos 43 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos - Willians (Flamengo); Estrada (Avaí).
Árbitro - André Luís Lopes (GO).
Renda e público - Não disponíveis.
Local - Estádio Cláudio Moacyr, em Macaé (RJ).

(Com Agência Estado)

20 maio 2011

José Mayer faz sua estreia no filão dos grandes musicais com 'Um violinista no telhado'

Leo Pinheiro, do Rio de JaneiroJosé Mayer lidera o elenco de 'Um violinista no telhado', novo musical da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho

José Mayer lidera o elenco de 'Um violinista no telhado', novo musical da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho (Guga Melgar/Divulgação)

"Tevye é um belo personagem, um homem rude com alma sofisticada. Sem dúvida, meu maior papel no teatro. Ele aceita as mudanças, apesar de dar valor às tradições. É um Rei Lear sem rancor”, afirma José Mayer

Candidato a maior musical do ano no Brasil, Um Violinista no Telhado, novo espetáculo de Charles Möeller e Claudio Botelho, estreia nesta sexta-feira no Teatro Casagrande, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. De início, a responsabilidade da produção é das grandes: trata-se do maior projeto realizado pela dupla até hoje. Embalados pelo recente sucesso de Hair e Gypsy, no ano passado, Möeller e Botelho apostam alto - precisamente sete milhões de reais - neste clássico do teatro musical americano, considerado grandioso não só pelo numeroso elenco de 17 músicos e 43 atores liderados por José Mayer, que faz sua estréia no gênero.

Um Violinista no Telhado é considerado o Rei Lear dos musicais. Além da complexidade de produção, que tem cerca de 160 figurinos e nove trocas de cenário, o espetáculo encontra paralelos no enredo com a célebre peça de Shakespeare. Assim como Lear, o protagonista, o leiteiro judeu Tevye, interpretado por José Mayer, entra em conflito com as três de suas cinco filhas, Tzeitel (Rachel Rennhack), Hodel (Malu Rodrigues) e Chava (Julia Bernat), por rejeitarem os casamentos arranjados e adotarem comportamentos que desviam do estabelecido pela tradição judaica.

“Minha vivência em musicais ainda era pequena. Cantei em duas peças, mas este é o primeiro grande musical que eu faço. Desta vez, a exigência vocal é muito pesada, precisei de uma dedicação integral em todo o processo. Tevye é um belo personagem, um homem rude com alma sofisticada. Sem dúvida, meu maior papel no teatro. Ele aceita as mudanças, apesar de dar valor às tradições. É um Rei Lear sem rancor”, afirma Mayer, que já acalentava o sonho de fazer um musical há pelo menos três anos, quando começou a freqüentar aulas de canto com regularidade.

Desafio maior, no entanto, parece ter sido o ator deixar a fama de galã de novela das oito, por ter interpretado vários personagens do tipo. Durante dois meses de ensaio, Mayer foi incorporando interna e externamente o camponês russo do fim do século XIX. À primeira vista, a mudança pode ser percebida no visual. Aos 62 anos, o galã está com a aparência muito diferente do que as fãs estão acostumadas a ver: com a barba grandíssima e cabelos desgrenhados.

As diferenças, no entanto, vão muito além do visual, como fazem questão de frisar os diretores. Charles e Cláudio fizeram vários workshops para que o elenco incorporasse os personagens do musical. “Não tinha nenhum contato com o universo judaico. Fizemos uma semana de palestras com especialistas na história e na religião. Nos permitimos ouvir palestrantes de linha ortodoxa e também de linhas mais modernas. Também tivemos a assessoria da Vivian Muller para todos os movimentos e gestuais, assim como o acompanhamento de todas as cenas de cerimônias - há algumas na peça”, destaca Botelho.

Apostando na relevância que a obra possui dentro e fora da comunidade judaica, o diretor ressalta que fez questão de fundamentar o trabalho com pessoas experientes na religião. “Sempre amamos o musical, mas jamais teríamos a ousadia de nos lançarmos num projeto assim por nossa conta. O convite partiu de uma produtora dirigida por artistas judeus e ligados ao tema, a Conteúdo Teatral. Eles compraram os direitos e nos convidaram para dar vida no palco à história, e nos assessoraram em tudo que era intrinsecamente ligado à história e à religião judaica”, finaliza.

SERVIÇO

Temporada: De 20 de maio a 18 de setembro
Local: Teatro Casa Grande (Av. Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon - telefone (21) 2511- 0800)
Horário: Quintas e sextas, às 21h. Sábados, às 17h30 e 21h30. Domingos, às 19h.
Preços: de R$ 40 a R$ 150
Duração do espetáculo: 130 minutos (com intervalo de 15 minutos)
Classificação etária: 5 anos