05 junho 2011

Oposição celebra saída de Saleh, hospitalizado na Arábia Saudita

Centenas de manifestantes saíram às ruas de Taez, importante cidade do sudoeste do Iêmen

Centenas de manifestantes saíram às ruas de Taez, importante cidade do sudoeste do Iêmen (Mohammed Huwais/ AFP )

Opositores festejaram neste domingo a saída do presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, que deixou o país no último sábado. O ditador, que ficou ferido em um bombardeio contra o palácio presidencial em Sanaa na sexta, foi hospitalizado na Arábia Saudita. A sede do governo voltou a ser alvo de um novo ataque, neste domingo, que deixou cinco mortos.

O palácio presidencial do Iêmen foi atacado por dezenas de homens armados, segundo oficiais militares e testemunhas. Quatro soldados e um dos rebeldes morreram no ataque. Os atiradores fazem parte de um grupo recentemente criado para vingar as mortes de manifestantes contrários ao regime de Saleh.

Em meio aos novos ataques, jovens ocuparam as ruas de Taez, importante cidade do sudoeste do país, e da capital Sanaa. "Hoje nasceu um novo Iêmen", gritaram eles na área que virou palco de protestos constantes, perto da Universidade de Sanaa. "Acabou, o regime caiu", gritavam outros, enquanto muitos manifestantes falavam em uma "fuga de Saleh", que está no poder há 33 anos.

A oposição anunciou ainda que vai trabalhar para evitar o retorno do ditador ao país. "Nós vamos trabalhar com todas as forças para evitar o retorno dele", declarou o porta-voz da oposição no Parlamento, Mohammed Qahtan, à agência de notícias France-Presse. "Nós consideramos isto como o início do fim deste regime corrupto e tirânico", completou.

Em Taez, centenas de manifestantes também se reuniram para gritar "liberdade, liberdade, Ali fugiu".

Saleh - O ditador, de 69 anos, chegou à Arábia Saudita no sábado em um avião ambulância deste país e foi levado imediatamente ao hospital militar de Riad. Os familiares do presidente viajaram à capital saudita em outra aeronave. Contudo, o filho de Saleh, Ahmad, e seus sobrinhos, Ammar e Yehia, que são os comandantes militares do presidente, ainda estariam no país. Ahmad comanda a Guarda Republicana, um grupo de elite, e outros parentes controlam unidades de segurança e inteligência. 

Oficiais do governo confirmaram que Saleh tem queimaduras de segundo grau no peito e no rosto. Disseram também que ele foi atingido por um estilhaço de 7,6 centímetros, que se alojou perto do coração e afeta o seu pulmão.

Governo - Segundo a Constituição iemenita, o vice-presidente, Abdel Rabo Mansur Hadi, deve governar o país na ausência do chefe de Estado. Entre os seus poderes está o comando das forças armadas e de segurança. Apesar de oficiais do governo terem dito que Saleh voltará ao Iêmen em alguns dias, ainda não está claro se ele o fará. O presidente já prometeu entregar o poder diversas vezes e desistiu de acordos com a oposição no último minuto.

Mansur Hadi conversou neste domingo com o embaixador dos Estados Unidos em Sanaa, Gerald Feierstein, sobre a situação no país, informou a agência oficial Saba. O encontro com o diplomata americano foi o primeiro ato anunciado publicamente desde a viagem de Saleh para Riad.

Contexto - O presidente Saleh acusa os "filhos de Al Ahmar" pelo ataque de sexta-feira, em referência ao xeque Sadek al Ahmar e seus seguidores da influente tribo dos Hashed. Como resposta, as tropas leais a Saleh bombardearam no mesmo dia a residência do xeque Hamid al-Ahmar, irmão de Sadek, cujos seguidores enfrentam o Exército há vários dias em batalhas violentas. As potências mundiais vêm pressionando Saleh a assinar um acordo mediado por países do Golfo para pôr fim a seus 33 anos de governo. Deixar o Iêmen, mesmo que para se submeter a tratamento médico, pode fazer com que seja difícil para Saleh reter o poder.

(Com agências Estado e France-Presse)